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Os Três Porquinhos e a Tempestade do Cerrado

20 de novembro de 202510 min de leitura3 a 5 anos6 visualizações

Três irmãos porquinhos constroem suas casas no coração do cerrado brasileiro, mas uma grande tempestade — e um lobo faminto — vão testar quem realmente se preparou para os desafios da vida.

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Os Três Porquinhos e a Tempestade do Cerrado

No coração do cerrado, onde o céu é tão grande que parece abraçar a terra inteira, viviam três irmãos porquinhos: Tito, Léo e Bento.

Tito era o mais velho e o mais preguiçoso. Adorava deitar na sombra dos ipês amarelos e ficar olhando as nuvens passarem. Léo, o do meio, era brincalhão e inquieto — vivia inventando jogos e correndo atrás dos tucanos. Já Bento, o caçula, era o mais quietinho e observador. Gostava de estudar as plantas, entender como as formigas construíam suas casas e planejar tudo com calma.

Um dia, a mãe dos três chamou os filhos para uma conversa séria embaixo do grande buriti.

— Meus filhos, vocês já estão crescidos. Está na hora de cada um construir sua própria casa. O cerrado é lindo, mas o tempo das chuvas está chegando, e as tempestades por aqui não são brincadeira. Preparem-se bem!

Tito bocejou.

— Ah, mãe, isso é fácil. Vou construir rapidinho e voltar a descansar.

Léo pulou animado.

— Vou fazer uma casa divertida, cheia de cores!

Bento sorriu e disse baixinho:

— Vou estudar bastante antes de começar.

E assim, cada porquinho saiu em busca do lugar perfeito.

Tito encontrou um campo aberto perto de um riacho e decidiu construir sua casa de capim seco. Juntou feixes e mais feixes de capim dourado, amarrou tudo com cipó e em poucas horas tinha uma casinha pronta.

— Prontinho! — disse Tito, se jogando na rede que pendurara dentro. — Agora posso descansar em paz.

Léo escolheu um lugar debaixo de uma mangueira e construiu sua casa com galhos e troncos finos. Ficou mais bonita que a de Tito — ele enfeitou com flores do cerrado e pintou pedras coloridas para colocar na entrada. Demorou dois dias.

— Ficou linda! — disse Léo orgulhoso, dançando ao redor. — A mais bonita do cerrado inteiro!

Bento caminhou bastante antes de escolher seu lugar. Encontrou uma elevação perto de uma nascente, protegida por grandes árvores. Primeiro, cavou a fundação. Depois, foi até a olaria do Seu Manoel e aprendeu a fazer tijolos de barro vermelho do cerrado. Carregou cada tijolo, misturou a argamassa, assentou fileira por fileira. Fez paredes grossas, telhado resistente com telhas de barro, janelas que fechavam bem e uma porta forte de madeira de aroeira.

Levou três semanas inteiras.

Tito e Léo riam do irmão.

— Bento, você é lento demais! — provocava Tito da sua rede.

— A gente já está descansando e você ainda carregando tijolo! — completava Léo, jogando bola.

Bento não respondia. Apenas sorria e continuava trabalhando.

Até que uma tarde, o céu mudou. As nuvens brancas foram embora e no horizonte surgiu uma muralha escura e roxa. O vento começou a soprar quente, levantando poeira vermelha. Os pássaros voaram baixo. As formigas sumiram nos buracos.

E então, junto com a tempestade, veio o Lobo.

O Lobo do Cerrado era grande, cinzento, de olhos como brasas. Ele aparecia sempre nas tempestades, quando os animais estavam mais vulneráveis. E naquela noite, estava com uma fome terrível.

Primeiro, foi até a casa de Tito.

— Porquinho, porquinho, abra a porta ou eu vou soprar!

— Vai embora, lobo! Minha casa é forte! — gritou Tito, tremendo.

O lobo encheu o peito e soprou. O vento da tempestade se juntou ao sopro, e a casinha de capim voou pelos ares como folha seca. Tito saiu correndo desesperado até a casa de Léo.

— Léo, me ajuda! O lobo destruiu minha casa!

Os dois se trancaram na casinha de galhos. Mas o lobo já estava lá fora.

— Porquinhos, porquinhos, abram a porta ou eu vou soprar!

Soprou uma vez — as paredes estremeceram. Soprou duas vezes — os galhos começaram a se soltar. Soprou três vezes — e a casa inteira desmoronou com um estrondo, galhos e flores voando para todos os lados.

Tito e Léo correram pela chuva torrencial, a lama grudando nos pés, os relâmpagos iluminando o caminho. Até que viram a luz dourada brilhando na janela da casa de Bento.

— BENTO! ABRE A PORTA! — gritaram juntos.

Bento abriu a porta pesada de aroeira e os dois irmãos entraram aos tropeções, encharcados e tremendo.

Ilustração da história Os Três Porquinhos e a Tempestade do Cerrado

Segundos depois, o lobo chegou. A chuva escorria pelo seu pelo, os olhos brilhavam na escuridão.

— Porquinhos, porquinhos! Abram essa porta ou eu vou SOPRAR!

Bento trancou a porta, fechou as janelas e acendeu mais uma vela.

— Pode soprar — disse calmamente.

O lobo soprou com toda a força. A casa nem tremeu. Soprou de novo, até ficar vermelho. As paredes de tijolo não se moveram nem um milímetro. Soprou uma terceira vez com tanta força que ficou tonto e caiu sentado na lama.

Furioso, tentou entrar pela chaminé. Mas Bento, que sempre pensava em tudo, havia acendido a lareira. O lobo desceu e queimou o rabo.

— AAAAAI!

Saiu voando porta afora, uivando pela chuva, e nunca mais voltou.

Dentro da casinha, os três irmãos se abraçaram. Bento fez uma sopa quentinha de mandioca com carne seca, e enquanto a tempestade rugia lá fora, dentro estava tudo quente, seguro e acolhedor.

— Me desculpa, Bento — disse Tito, envergonhado. — Eu ri de você, mas você estava certo.

— Eu também — disse Léo. — Uma casa bonita não adianta nada se não for forte.

Bento abraçou os dois.

— O importante é que estamos juntos. Amanhã, eu ajudo vocês a construírem casas novas. Casas de verdade.

E foi exatamente o que fizeram. Quando as chuvas passaram e o cerrado floresceu de novo, três casinhas de tijolo vermelho brilhavam no alto da colina, lado a lado, com varandas onde os três irmãos sentavam todas as tardes para ver o pôr do sol mais bonito do mundo.

✨ Moral da História

Quem se prepara com cuidado e dedicação enfrenta qualquer tempestade da vida sem medo.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Que tipo de casa você construiria?
  • 2Você acha que os irmãos deviam ter ouvido o Bento desde o começo? Por quê?
  • 3O que você faz quando tem uma tarefa difícil — faz rápido ou com cuidado?
  • 4Por que é importante ajudar nossos irmãos e amigos?

O que achou desta história?

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Raposinha

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