Os Três Porquinhos e a Tempestade do Cerrado
Três irmãos porquinhos constroem suas casas no coração do cerrado brasileiro, mas uma grande tempestade — e um lobo faminto — vão testar quem realmente se preparou para os desafios da vida.

No coração do cerrado, onde o céu é tão grande que parece abraçar a terra inteira, viviam três irmãos porquinhos: Tito, Léo e Bento.
Tito era o mais velho e o mais preguiçoso. Adorava deitar na sombra dos ipês amarelos e ficar olhando as nuvens passarem. Léo, o do meio, era brincalhão e inquieto — vivia inventando jogos e correndo atrás dos tucanos. Já Bento, o caçula, era o mais quietinho e observador. Gostava de estudar as plantas, entender como as formigas construíam suas casas e planejar tudo com calma.
Um dia, a mãe dos três chamou os filhos para uma conversa séria embaixo do grande buriti.
— Meus filhos, vocês já estão crescidos. Está na hora de cada um construir sua própria casa. O cerrado é lindo, mas o tempo das chuvas está chegando, e as tempestades por aqui não são brincadeira. Preparem-se bem!
Tito bocejou.
— Ah, mãe, isso é fácil. Vou construir rapidinho e voltar a descansar.
Léo pulou animado.
— Vou fazer uma casa divertida, cheia de cores!
Bento sorriu e disse baixinho:
— Vou estudar bastante antes de começar.
E assim, cada porquinho saiu em busca do lugar perfeito.
Tito encontrou um campo aberto perto de um riacho e decidiu construir sua casa de capim seco. Juntou feixes e mais feixes de capim dourado, amarrou tudo com cipó e em poucas horas tinha uma casinha pronta.
— Prontinho! — disse Tito, se jogando na rede que pendurara dentro. — Agora posso descansar em paz.
Léo escolheu um lugar debaixo de uma mangueira e construiu sua casa com galhos e troncos finos. Ficou mais bonita que a de Tito — ele enfeitou com flores do cerrado e pintou pedras coloridas para colocar na entrada. Demorou dois dias.
— Ficou linda! — disse Léo orgulhoso, dançando ao redor. — A mais bonita do cerrado inteiro!
Bento caminhou bastante antes de escolher seu lugar. Encontrou uma elevação perto de uma nascente, protegida por grandes árvores. Primeiro, cavou a fundação. Depois, foi até a olaria do Seu Manoel e aprendeu a fazer tijolos de barro vermelho do cerrado. Carregou cada tijolo, misturou a argamassa, assentou fileira por fileira. Fez paredes grossas, telhado resistente com telhas de barro, janelas que fechavam bem e uma porta forte de madeira de aroeira.
Levou três semanas inteiras.
Tito e Léo riam do irmão.
— Bento, você é lento demais! — provocava Tito da sua rede.
— A gente já está descansando e você ainda carregando tijolo! — completava Léo, jogando bola.
Bento não respondia. Apenas sorria e continuava trabalhando.
Até que uma tarde, o céu mudou. As nuvens brancas foram embora e no horizonte surgiu uma muralha escura e roxa. O vento começou a soprar quente, levantando poeira vermelha. Os pássaros voaram baixo. As formigas sumiram nos buracos.
E então, junto com a tempestade, veio o Lobo.
O Lobo do Cerrado era grande, cinzento, de olhos como brasas. Ele aparecia sempre nas tempestades, quando os animais estavam mais vulneráveis. E naquela noite, estava com uma fome terrível.
Primeiro, foi até a casa de Tito.
— Porquinho, porquinho, abra a porta ou eu vou soprar!
— Vai embora, lobo! Minha casa é forte! — gritou Tito, tremendo.
O lobo encheu o peito e soprou. O vento da tempestade se juntou ao sopro, e a casinha de capim voou pelos ares como folha seca. Tito saiu correndo desesperado até a casa de Léo.
— Léo, me ajuda! O lobo destruiu minha casa!
Os dois se trancaram na casinha de galhos. Mas o lobo já estava lá fora.
— Porquinhos, porquinhos, abram a porta ou eu vou soprar!
Soprou uma vez — as paredes estremeceram. Soprou duas vezes — os galhos começaram a se soltar. Soprou três vezes — e a casa inteira desmoronou com um estrondo, galhos e flores voando para todos os lados.
Tito e Léo correram pela chuva torrencial, a lama grudando nos pés, os relâmpagos iluminando o caminho. Até que viram a luz dourada brilhando na janela da casa de Bento.
— BENTO! ABRE A PORTA! — gritaram juntos.
Bento abriu a porta pesada de aroeira e os dois irmãos entraram aos tropeções, encharcados e tremendo.

Segundos depois, o lobo chegou. A chuva escorria pelo seu pelo, os olhos brilhavam na escuridão.
— Porquinhos, porquinhos! Abram essa porta ou eu vou SOPRAR!
Bento trancou a porta, fechou as janelas e acendeu mais uma vela.
— Pode soprar — disse calmamente.
O lobo soprou com toda a força. A casa nem tremeu. Soprou de novo, até ficar vermelho. As paredes de tijolo não se moveram nem um milímetro. Soprou uma terceira vez com tanta força que ficou tonto e caiu sentado na lama.
Furioso, tentou entrar pela chaminé. Mas Bento, que sempre pensava em tudo, havia acendido a lareira. O lobo desceu e queimou o rabo.
— AAAAAI!
Saiu voando porta afora, uivando pela chuva, e nunca mais voltou.
Dentro da casinha, os três irmãos se abraçaram. Bento fez uma sopa quentinha de mandioca com carne seca, e enquanto a tempestade rugia lá fora, dentro estava tudo quente, seguro e acolhedor.
— Me desculpa, Bento — disse Tito, envergonhado. — Eu ri de você, mas você estava certo.
— Eu também — disse Léo. — Uma casa bonita não adianta nada se não for forte.
Bento abraçou os dois.
— O importante é que estamos juntos. Amanhã, eu ajudo vocês a construírem casas novas. Casas de verdade.
E foi exatamente o que fizeram. Quando as chuvas passaram e o cerrado floresceu de novo, três casinhas de tijolo vermelho brilhavam no alto da colina, lado a lado, com varandas onde os três irmãos sentavam todas as tardes para ver o pôr do sol mais bonito do mundo.
✨ Moral da História
“Quem se prepara com cuidado e dedicação enfrenta qualquer tempestade da vida sem medo.”
Vamos Conversar?
Perguntas para conversar com a criança após a leitura:
- 1Que tipo de casa você construiria?
- 2Você acha que os irmãos deviam ter ouvido o Bento desde o começo? Por quê?
- 3O que você faz quando tem uma tarefa difícil — faz rápido ou com cuidado?
- 4Por que é importante ajudar nossos irmãos e amigos?
O que achou desta história?
Histórias Relacionadas
Comentários (0)
Deixe seu comentário
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!



