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Cinderela do Sertão

27 de janeiro de 20269 min de leitura3 a 5 anos6 visualizações

Uma menina humilde do sertão nordestino sonha em ir à grande festa junina da cidade — mas precisa de um pouco de magia e muita coragem para transformar sua noite.

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No meio do sertão nordestino, onde o sol brilha forte e as noites são cheias de estrelas, vivia uma menina chamada Estrela. Esse nome lhe foi dado pela mãe, que dizia que no dia em que ela nasceu, o céu tinha mais estrelas do que em qualquer outra noite do ano.

A mãe de Estrela havia partido para o céu quando ela ainda era pequena. Deixou para a filha uma única lembrança: um lenço bordado com pequenas estrelas douradas. Estrela guardava esse lenço como um tesouro e sempre o levava junto ao coração.

O pai de Estrela casou-se de novo com Dona Magnólia, uma mulher vaidosa que trouxe duas filhas: Jade e Safira. As duas eram mimadas e preguiçosas, passavam o dia se arrumando diante do espelho e mandando Estrela fazer todo o serviço.

— Estrela, vá buscar água no poço! — Estrela, lave as roupas! — Estrela, faça o jantar!

Estrela nunca reclamava. Trabalhava cantando baixinho as músicas que a mãe lhe ensinara e sonhava com dias melhores.

Um dia, o prefeito da cidade anunciou a maior festa junina que já se tinha visto: três dias de forró, quadrilha, comidas deliciosas e fogos de artifício. O ponto alto seria o concurso de quadrilha, e o melhor dançarino ganharia uma bolsa para estudar na capital.

Estrela adorava dançar. Dançava enquanto varria, dançava enquanto cozinhava, dançava até enquanto carregava o balde d'água na cabeça. Seu sonho era estudar, e essa era a chance perfeita.

— Madrasta, posso ir à festa? — perguntou Estrela com os olhos brilhando.

Dona Magnólia riu.

— Você? Na festa? Com que roupa? Olhe para você — toda suja, descalça, cabelo despenteado. Minhas filhas é que vão brilhar. Você fica em casa lavando a louça.

Jade e Safira gargalharam. Vestiram seus vestidos novos de chita florida, colocaram fitas coloridas no cabelo e saíram de braço dado com a mãe, deixando Estrela sozinha.

Estrela sentou no batente da porta e pela primeira vez em muito tempo deixou as lágrimas caírem. Apertou o lenço da mãe contra o peito e olhou para o céu.

— Mãe, eu queria tanto ir...

Ilustração da história Cinderela do Sertão

Nesse instante, uma luz prateada desceu do céu como um raio de luar e pousou no quintal. De dentro da luz, surgiu uma senhora de cabelos brancos como nuvens, pele morena como terra boa, e um sorriso que aquecia mais que fogueira de São João.

— Não chore, minha menina — disse a senhora com voz doce. — Sou sua madrinha. Sua mãe me pediu para cuidar de você, e hoje é noite de realizar sonhos.

Com um gesto das mãos, a madrinha tocou o lenço bordado de estrelas, e ele começou a brilhar. A luz envolveu Estrela como um abraço, e quando ela olhou para baixo, estava usando o vestido mais lindo que já existiu: branco como a lua, bordado com estrelas douradas que cintilavam de verdade, e nos pés, um par de sandálias prateadas que pareciam feitas de luz.

— Vá, minha filha, e dance como seu coração manda. Mas lembre-se: à meia-noite, a magia acaba. Volte antes que o relógio bata doze vezes.

Estrela correu para a festa com o coração explodindo de alegria. Quando chegou, todos pararam para olhar. Ninguém a reconheceu — achavam que era uma princesa vinda de longe.

O sanfoneiro começou a tocar, e Estrela dançou. Dançou como nunca ninguém tinha visto naquele sertão. Seus pés mal tocavam o chão, seu vestido girava como galáxia, e as estrelas bordadas brilhavam com cada movimento. Até o vento parou para assistir.

Pedro, o filho do prefeito, um rapaz tímido que gostava mais de livros que de festas, ficou encantado. Convidou-a para dançar, e os dois rodopiaram juntos como se tivessem dançado a vida inteira.

— Qual é seu nome? — perguntou Pedro, fascinado.

— Estrela — respondeu ela, sorrindo.

O tempo voou. Quando o relógio da igreja começou a bater meia-noite, Estrela lembrou do aviso da madrinha.

— Preciso ir! — disse, soltando as mãos de Pedro.

Saiu correndo pela praça, e no caminho, uma das sandálias prateadas escorregou do pé. Ela não parou para pegar — correu até chegar em casa, onde o vestido voltou a ser o vestido velho de sempre.

Pedro encontrou a sandália brilhando no chão. Decidiu que ia encontrar a dona, nem que precisasse visitar cada casa do sertão.

E foi o que fez. Casa por casa, estrada por estrada. Jade experimentou — grande demais. Safira experimentou — pequena demais.

Quando chegou à casa de Dona Magnólia, viu Estrela no quintal, estendendo roupa.

— Posso experimentar? — perguntou Estrela timidamente.

Dona Magnólia tentou impedir, mas Pedro insistiu. Estrela calçou a sandália, e ela serviu perfeitamente. E naquele instante, o lenço bordado em seu bolso brilhou suavemente, como se a mãe estivesse sorrindo lá do céu.

Pedro reconheceu o sorriso e os olhos que brilhavam como estrelas.

— É você!

Estrela ganhou o concurso de dança, recebeu a bolsa de estudos e partiu para a capital com o lenço da mãe junto ao coração. Estudou, cresceu e voltou para transformar sua cidade. Construiu uma escola, uma biblioteca e todo ano organizava a maior festa junina do sertão — onde todo mundo era bem-vindo, especialmente quem nunca tinha tido a chance de dançar.

✨ Moral da História

A verdadeira beleza está no coração bondoso e na força de nunca desistir dos nossos sonhos.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1O que você acha mais bonito numa pessoa — a roupa ou o jeito dela?
  • 2Se você tivesse uma madrinha mágica, o que pediria?
  • 3Por que as irmãs de Estrela não eram felizes mesmo tendo coisas bonitas?
  • 4Qual é o seu sonho mais especial?

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