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A Cigarra, a Formiga e o Verão que Não Acabava

27 de janeiro de 20268 min de leitura3 a 5 anos7 visualizações

Uma cigarra artista e uma formiga trabalhadora descobrem que nem só de trabalho nem só de música se vive — o segredo está no equilíbrio.

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No jardim mais bonito do bairro — aquele com mangueira, pé de jabuticaba e um canteiro de girassóis que brilhavam como pequenos sóis — viviam duas vizinhas muito diferentes.

Dona Formiga morava debaixo da terra, num formigueiro organizado como uma cidade. Tinha despensa, cozinha, quarto de secar folhas e até um salão para reuniões. Trabalhava de sol a sol, carregando folhas, sementes e migalhas, sempre murmurando:

— Trabalhar, trabalhar, que o inverno vai chegar.

Do outro lado do jardim, numa folha de bananeira que servia de rede, vivia Cigarra. Ela era artista — cantava do nascer ao pôr do sol, inventava melodias com o vento, fazia dueto com os bem-te-vis e dançava com as borboletas.

— Canta, canta, que a vida é tão bonita! — dizia Cigarra, tocando seu violãozinho feito de graveto e cipó.

Todo dia, quando Formiga passava carregando uma folha três vezes maior que ela, Cigarra chamava do alto da bananeira:

— Ei, Formiga! Para um pouquinho! Vem ouvir a música que eu inventei hoje!

— Não tenho tempo para música — respondia Formiga sem parar. — O inverno está chegando. Você devia guardar comida em vez de ficar cantando.

— Ah, Formiga, o inverno está longe! O sol está tão gostoso, as flores tão cheirosas... Aproveita!

Formiga balançava a cabeça e continuava trabalhando.

E assim os dias foram passando. O verão era longo e generoso — chuvas na hora certa, sol forte, frutas de sobra. Cigarra cantava cada vez melhor, sua fama se espalhava pelo jardim, e até os besouros paravam para ouvir. Formiga trabalhava cada vez mais, enchendo a despensa até não caber mais nada.

Mas o tempo, como sempre, mudou.

As folhas começaram a cair. O vento ficou frio. As flores murcharam. E uma manhã, Cigarra acordou tremendo. Olhou ao redor e não viu mais flores, nem frutas, nem sol. Só galhos secos e céu cinzento.

O inverno tinha chegado.

Cigarra procurou comida. Nada. Procurou abrigo. A folha de bananeira tinha secado e rasgado. A chuva caía gelada, e o vento cortava como lâmina.

Com fome, frio e vergonha, Cigarra foi até a porta do formigueiro e bateu.

Toc, toc, toc.

Ilustração da história A Cigarra, a Formiga e o Verão que Não Acabava

Formiga abriu a porta. Lá dentro, tudo era quente e aconchegante — a despensa cheia, a lareira acesa, o cheiro de sopa de milho.

— Cigarra? O que aconteceu?

— Eu... não tenho comida. Nem abrigo. Eu sei que você me avisou, e eu não ouvi. Me desculpa, Formiga.

Formiga olhou para Cigarra tremendo. Olhou para sua despensa cheia. E por um segundo, pensou em dizer: "Eu avisei! Devia ter trabalhado em vez de cantar."

Mas não disse.

Porque naquele momento, Formiga lembrou de algo. Lembrou das tardes longas de trabalho, do cansaço, da solidão. Lembrou que muitas vezes, no meio da labuta, ouvia a música de Cigarra ao longe e sentia o coração mais leve. Lembrou que era a voz de Cigarra que tornava os dias de trabalho suportáveis.

— Entra — disse Formiga, abrindo a porta toda. — Tem sopa de milho no fogo.

Cigarra entrou chorando de gratidão. Comeu, se aqueceu, e quando parou de tremer, pegou seu violãozinho e perguntou:

— Posso tocar uma música para agradecer?

— Por favor — disse Formiga, sentando numa cadeirinha perto da lareira.

E Cigarra tocou. Tocou a música mais linda que já tinha feito. Uma música que falava de gratidão, de amizade, de segundas chances. As notas ecoaram pelo formigueiro, e todas as formigas pararam para ouvir. Algumas até dançaram — pela primeira vez na vida.

Formiga sorriu. Pela primeira vez em meses, sentiu que não era só trabalho e dever. Sentiu alegria.

— Sabe, Cigarra — disse Formiga quando a música acabou —, acho que eu estava errada também. Trabalhei tanto que esqueci de viver. Minha despensa está cheia, mas meu coração estava vazio. Sua música encheu ele de novo.

— E eu estava errada de não me preparar — respondeu Cigarra. — A música é importante, mas não enche a barriga.

As duas se olharam e riram.

— Que tal um acordo? — propôs Formiga. — Na próxima temporada, eu te ensino a guardar comida, e você me ensina a aproveitar a vida.

— Fechado! — disse Cigarra, apertando a mãozinha de Formiga com a sua.

E foi o que fizeram. No verão seguinte, Cigarra cantava de manhã e trabalhava à tarde. Formiga trabalhava de manhã e aprendia violão à tarde. A despensa ficou cheia, e o jardim ficou mais alegre do que nunca.

Porque descobriram juntas o que nenhuma sabia sozinha: que a vida mais bonita não é só de trabalho nem só de música. É das duas coisas juntas, como uma canção que precisa tanto da melodia quanto do ritmo para ser perfeita.

✨ Moral da História

Na vida, precisamos tanto de trabalho quanto de alegria — quem encontra o equilíbrio entre os dois é verdadeiramente sábio.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Você gosta mais de trabalhar ou de brincar?
  • 2Por que é importante fazer as duas coisas?
  • 3Como você se sentiria se nunca pudesse brincar? E se nunca precisasse fazer nada?
  • 4O que a Cigarra e a Formiga aprenderam uma com a outra?

O que achou desta história?

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