Sonhos

O Menino que Desenhava o Futuro

01 de janeiro de 202615 min de leitura3 a 5 anos12 visualizações

Tudo que um menino desenha se torna realidade e ele aprende a sonhar com responsabilidade.

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O Menino que Desenhava o Futuro

Na rua de paralelepípedo de um bairro bem brasileiro, com casa colorida, varanda com rede e cheiro de pão de queijo saindo da cozinha, morava um menino chamado Tito.

Tito tinha bochechas redondinhas, sorriso grande e olhos curiosos, curiosos mesmo. Ele gostava de duas coisas mais do que tudo: ouvir os passarinhos cantando “piu-piu” no pé de goiaba e desenhar.

Ele desenhava em folhas brancas, em cadernos velhos, em papelão de caixa de sapato. Desenhava com lápis de cor, giz de cera e canetinha. Quando ele desenhava, fazia “risca-risca”, “shhh”, “toc-toc” do lápis batendo na mesa.

A mãe dele, Dona Nina, sempre dizia: — Tito, desenhar é lindo. Mas cuidado para não bagunçar a casa, viu?

E o pai, Seu Zeca, completava: — E use sua imaginação para fazer o bem, meu filho.

Tito balançava a cabeça. — Tá bom, pai. Tá bom, mãe.

Só que Tito ainda não sabia uma coisa muito, muito especial.

Numa manhã de sol quentinho, Tito estava sentado no quintal. O vento fazia “fuuu” e as folhas do pé de goiaba faziam “chic-chic”. Ele abriu um caderno novo, cheirando a papel.

— Hoje eu vou desenhar… um balão! Um balão bem redondo! — falou Tito, animado.

Ele pegou o lápis vermelho e fez um círculo, círculo, círculo. Depois desenhou uma cordinha e um laço. No final, colocou um rostinho feliz no balão.

— Pronto! — disse ele. — Um balão sorridente!

De repente… “PÓF!”

Na frente do caderno, bem pertinho do nariz de Tito, apareceu um balão de verdade. Vermelhão, brilhante, com um rostinho sorrindo!

Tito arregalou os olhos. — Uau! — ele sussurrou. — Eu desenhei… e apareceu!

O balão subiu devagar, fazendo “flup-flup”, e ficou boiando no quintal.

A galinha da vizinha, Dona Cocó, olhou e fez: — Có-có-cóóó!

Tito deu risada. — Isso é mágico!

Ele correu para dentro. — Mãe! Pai! Eu desenhei um balão e ele… virou de verdade!

Dona Nina apareceu com um pano de prato na mão. — Tito, meu filho, que conversa é essa?

Seu Zeca veio atrás, limpando a mão de graxa. — Um balão? Onde?

Tito puxou os dois até o quintal. O balão estava lá, dançando no ar.

Dona Nina colocou a mão na boca. — Nossa Senhora…

Seu Zeca coçou a cabeça. — Então é isso… O que você desenha… acontece.

Tito pulou, pulou. — Eu sou… um desenhador de verdade!

Seu Zeca se agachou para ficar do tamanho do filho. — Tito, isso é um presente grande. Mas presente grande pede cuidado grande.

Dona Nina falou mansinho: — A gente precisa usar esse dom para coisas boas, tá?

Tito respondeu rápido: — Tá! Eu prometo!

E lá foi Tito, com o caderno debaixo do braço e um brilho de aventura nos olhos.

No começo, Tito desenhou coisas simples e legais.

Desenhou uma bola azul. “PÓF!” A bola apareceu e fez “poc-poc” quando ele quicou no chão.

Desenhou um picolé de uva. “PÓF!” Apareceu um picolé geladinho. Ele lambeu: “nham-nham!”

Desenhou uma flor bem amarela. “PÓF!” Uma flor nasceu no canteiro e ficou balançando “tlim-tlim” com o vento.

Tito ficou encantado. — Eu posso fazer tudo!

Mas aí… Tito teve uma ideia apressada.

Na calçada, ele viu um caminhão de sorvete passando e tocando a musiquinha “plim-plim-plim”. Tito pensou: — Eu quero muito, muito sorvete. Mas quero um sorvete gigante!

Ele sentou no degrau de casa e desenhou um sorvete enorme, do tamanho de uma geladeira. Com três bolas, chantili e granulado. Colocou até uma cereja gigante.

— Pronto! Sorvete gigante! — ele gritou.

“PÓF!”

O sorvete apareceu no meio da calçada. Era gigante mesmo. Tão grande que fazia sombra!

Só que… o sol estava quente. E o sorvete começou a derreter.

“Plic… plic… ploc…”

Virou uma poça roxa, azul e branca, escorrendo pela rua.

— Eita! — Tito falou, assustado.

Uma criança passou e escorregou um pouquinho. — Opa! — disse a menina, segurando no muro.

O cachorro do vizinho veio correndo e ficou com a patinha suja de chantili. — Au! Au! — ele latiu, confuso.

Dona Nina saiu correndo com um balde. — Tito! Olha a bagunça!

Seu Zeca veio com uma vassoura. — Isso pode causar acidente, filho.

Tito ficou com o coração apertado. Ele sentiu um “tum-tum” triste no peito. — Eu… eu só queria sorvete.

Dona Nina abaixou e limpou o queixo dele com carinho. — A gente entende, meu amor. Mas quando a gente faz algo grande, precisa pensar no que acontece depois.

Seu Zeca completou: — Antes de desenhar, pergunte: isso ajuda? Isso machuca? Isso cabe aqui?

Tito respirou fundo. — Eu vou pensar.

No outro dia, Tito foi até a pracinha do bairro, onde tinha escorregador, gangorra e um coreto pequeno. No canto, tinha uma árvore grande, com sombra boa. E embaixo dela estava sentada uma senhora chamada Dona Lúcia, com uma sacola.

Dona Lúcia suspirou. — Ai, ai… Minha sacola rasgou. Minhas laranjas vão cair.

As laranjas estavam quase rolando: “rol-rol-rol”.

Tito olhou, pensou e falou bem sério: — Eu posso ajudar.

Ele abriu o caderno. Dessa vez, desenhou devagar. “Risca-risca… risca-risca…”

Ele desenhou uma sacola bem forte, com alça dupla. E desenhou um laço bem apertado.

— Por favor… que seja uma sacola boa — ele sussurrou.

“PÓF!”

A sacola apareceu na mão de Dona Lúcia.

— Ué! — ela disse, surpresa. — Que sacola bonita!

Tito sorriu. — Coloca as laranjas aqui, Dona Lúcia.

Ela colocou e nada rasgou. — Que menino querido! — ela disse. — Obrigada.

Tito sentiu o peito quentinho. “Tum-tum” feliz.

Mas a aventura não tinha acabado.

Naquela tarde, o céu ficou cinza. Veio um vento forte: “FUUU!” As folhas voaram: “fla-fla-fla!” E começou a chover.

“Plic! Plic! PLOFT!”

A chuva virou um aguaceiro.

Na rua, Tito viu o gatinho do bairro, o Mingau, todo molhado e tremendo embaixo de um banco.

— Miau… miau… — choramingou Mingau.

Tito correu para perto. — Calma, Mingau! Eu vou te ajudar.

Mas a chuva ficou mais forte: “SHHHHH!”

Tito pensou rápido. Se ele desenhasse um guarda-chuva, dava certo? Se desenhasse grande demais, podia bater nos outros. Se desenhasse pequeno demais, não cobria o gatinho.

Ele lembrou do que o pai disse: “Isso ajuda? Isso machuca? Isso cabe aqui?”

Tito se sentou no degrau da padaria fechada e abriu o caderno. A água pingava no papel.

— Não pode molhar! — ele falou.

Ele tirou do bolso um saquinho plástico e cobriu o caderno, como se fosse uma capinha.

— Pronto.

Então ele desenhou. Bem caprichado.

Desenhou um abrigo. Não era uma casa enorme. Era uma casinha pequena, só para o Mingau, com telhado, porta e uma plaquinha escrita: “Cantinho do Mingau”.

Desenhou também uma mantinha bem macia, e uma tigelinha de água e ração.

O vento soprou mais forte.

— FUUU! — fez o vento.

O coração de Tito bateu rápido.

— Por favor… apareça no lugar certo… e sem machucar ninguém — ele pediu.

A chuva fez “TUM!” bem na hora em que um trovão apareceu lá longe.

E então…

“PÓF!”

A casinha surgiu bem ao lado do banco, no cantinho seco perto do muro, sem atrapalhar a passagem. O telhado apareceu firme, e a porta abriu “crec”. A mantinha caiu fofinha dentro. A tigelinha apareceu, fazendo “tilim”.

Mingau arregalou os olhinhos. — Miau?

Tito pegou o gatinho com cuidado. — Vem, Mingau. Aqui você fica quentinho.

Ele colocou o gatinho dentro. Mingau se enroscou na manta. — Prrrrr… — ele ronronou.

Tito sorriu aliviado. — Ufa.

Dona Nina e Seu Zeca chegaram correndo com capa de chuva.

— Tito! — Dona Nina chamou. — Você tá bem?

— Tô! Olha o Mingau! — Tito apontou.

Seu Zeca olhou para a casinha. — Você pensou antes de desenhar, né?

Tito assentiu. — Eu pensei. Eu desenhei pequeno. No lugar certo. Para ajudar.

Dona Nina abraçou Tito. — Que orgulho, meu filho.

Seu Zeca passou a mão no cabelo dele. — Você desenhou… o futuro. Um futuro com cuidado.

A chuva foi ficando mais fraca. “Plic… plic…” Até parar.

O céu abriu uma frestinha de luz dourada. A rua ficou cheirando a terra molhada. E lá no quintal, o pé de goiaba brilhou com gotinhas.

Na noite daquele dia, Tito ficou na cama com o caderno ao lado. Ele olhou para o teto e falou baixinho: — Eu posso desenhar muitas coisas. Mas eu vou desenhar com carinho.

Dona Nina beijou a testa dele. — Sonhar é bom.

Seu Zeca apagou a luz. — E sonhar com responsabilidade é melhor ainda.

Tito fechou os olhos. — Amanhã… eu vou desenhar um banco novo para a pracinha. Pequeno. Bonito. Para todo mundo sentar.

E dormiu sorrindo, sabendo que seus desenhos podiam virar realidade… e também podiam virar cuidado.

E assim, o menino que desenhava o futuro aprendeu que o melhor desenho é aquele que faz o mundo ficar mais feliz e mais seguro.

✨ Moral da História

Sonhar é maravilhoso, mas é ainda melhor quando a gente pensa no bem de todos antes de agir.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Se você pudesse desenhar uma coisa de verdade, o que você desenharia?
  • 2Você já viu um gatinho molhado na chuva? O que você faria para ajudar?
  • 3Qual parte da história você mais gostou: o balão, o sorvete ou a casinha do Mingau?
  • 4Você gosta de desenhar com lápis de cor ou com giz de cera?
  • 5Você já tomou sorvete? Qual sabor você gosta mais?

O que achou desta história?

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Raposinha

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