Aventura

O Mapa do Vovô Tibúrcio

30 de novembro de 202515 min de leitura3 a 5 anos2 visualizações

Um menino encontra um mapa antigo do avô e descobre que o maior tesouro está mais perto do que imaginava.

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O Mapa do Vovô Tibúrcio

Numa casinha simples, com varanda e rede balançando devagar, morava um menino chamado Nino. Ele tinha bochechas redondinhas, olhos curiosos e um jeito rápido de correr: “tic-tic-tic” com o chinelo no chão.

A casa ficava numa rua calma de uma cidadezinha do interior do Brasil. Perto tinha um pé de goiaba, um jardim com flores amarelas e um quintal onde as galinhas faziam “có-có-có”. Quando o vento passava, as folhas faziam “fuuuush”. E, de manhã, o cheiro de café com pão quentinho vinha da cozinha.

Nino gostava muito do vovô Tibúrcio. O vovô tinha bigode grande, chapéu de palha e uma risada gostosa: “ho-ho-ho!”. Ele contava histórias sentado na cadeira de madeira, com um copo de água e uma calma bem calma.

— Vovô, me conta uma aventura? — pedia Nino, pulando como pipoca.

— Aventura eu tenho um bocado! — dizia o vovô, piscando um olho. — Mas a maior aventura… às vezes está bem pertinho.

Nino não entendia direito. Aventura, para ele, era montanha, rio fundo, bicho grande e tesouro brilhando.

Num fim de tarde, a chuva começou a bater no telhado: “plim, plim, plim”. A mamãe de Nino foi buscar roupas no varal e falou:

— Nino, não vai mexer no baú do vovô, viu? É coisa antiga.

Nino olhou para o corredor. Lá no canto, ficava um baú marrom, com cheiro de madeira velha e uma fechadura que fazia “clac” quando mexia.

Nino não queria desobedecer… mas a curiosidade dele era grande, grandona, do tamanho de um balão.

Quando o vovô cochilou na rede — “ronc… ronc…” bem baixinho — Nino chegou pertinho do baú. Bem devagar. Bem quietinho.

— Eu só vou olhar um pouquinho — ele sussurrou.

O baú não estava trancado. Nino levantou a tampa com cuidado. “Creeeec…” fez a madeira.

Lá dentro tinha um monte de coisas: um lenço, uma medalha, um carrinho enferrujado, e um papel dobrado muitas vezes.

Nino pegou o papel. Era amarelado, com manchas, e cheirava a tempo antigo. No meio, tinha desenhos: uma árvore, uma ponte, um X bem grande e flechas.

— Um mapa! — Nino arregalou os olhos. — Um mapa de tesouro!

O coração dele fez “tum-tum-tum”.

Ele correu até o vovô, segurando o papel com as duas mãos.

— Vovô Tibúrcio! Olha! Eu achei! Um mapa! — Nino falou, sem conseguir parar de sorrir.

O vovô abriu os olhos devagar.

— Eita, danado… esse mapa… — ele coçou o bigode. — Esse é antigo mesmo.

— Tem tesouro, vovô? Tem ouro? Tem diamante? — Nino perguntou, já imaginando um baú cheio de brilho.

O vovô deu uma risada “ho-ho-ho!” e respondeu:

— Pode ter um tesouro, sim. Mas tesouro não é só coisa que brilha. Quer procurar comigo?

— Quero! Quero! Quero! — Nino pulou três vezes.

A mamãe ouviu a animação e apareceu na sala.

— Vão aprontar o quê? — ela perguntou, com cara de quem já estava rindo por dentro.

— Uma caça ao tesouro! — Nino disse.

A mamãe suspirou e falou:

— Tá bom, mas nada de sair sozinho. E cuidado pra não cair.

E assim, a aventura começou.

O vovô colocou o chapéu. Nino colocou o boné. E os dois foram para o quintal.

O mapa mostrava primeiro um desenho de árvore.

— Deve ser o pé de goiaba! — Nino apontou.

Eles chegaram perto do pé de goiaba, que tinha frutos verdes e maduros.

— Hum… cheirinho de goiaba! — Nino falou.

O vovô leu o mapa com calma, passando o dedo pelas linhas.

— Aqui diz: “Conte cinco passos e encontre a pista.” — ele falou.

— Eu conto! — disse Nino.

Ele foi contando bem alto:

— Um… dois… três… quatro… cinco!

No quinto passo, Nino parou perto de uma pedra lisa.

— Aqui! — ele disse.

O vovô levantou a pedra com cuidado. Debaixo, tinha uma tampinha de garrafa e… um pedaço de papel enrolado.

— Uma pista! — Nino gritou.

O papel dizia, com letra tremida: “Agora vá até onde a água canta.”

Nino olhou em volta.

— Água canta? — ele perguntou.

— Escuta — o vovô disse.

De longe, dava pra ouvir a torneira do quintal pingando: “ploc… ploc… ploc…”. Parecia mesmo uma musiquinha.

— É a torneira! — Nino falou.

Eles foram até a torneira. Nino se agachou. Viu uma bacia azul, um balde e uma mangueira.

— Cadê a pista, cadê? — ele murmurou.

O vovô apontou para a mangueira.

— Olha aqui, Nino.

Amarrado na mangueira, tinha um laço de barbante com outro pedacinho de papel.

Nino pegou e leu com o vovô:

— “Procure a ponte pequena.”

— Ponte pequena… — Nino repetiu, pensando.

No quintal, tinha uma ponte pequenininha de madeira, que o vovô tinha colocado sobre um buraco para a água da chuva passar. Era uma “ponte” de mentirinha, mas dava pra atravessar fazendo “toc-toc-toc”.

— Eu sei! — Nino falou e saiu correndo.

Ele atravessou a pontinha devagar, só pra sentir o barulho.

— Toc-toc-toc! — ele fez.

Do outro lado, tinha um vaso grande com uma planta de folhas largas.

— E agora? — Nino perguntou.

O vovô olhou o mapa.

— Aqui tem um X. Bem aqui — ele disse.

Nino olhou para o chão. Tinha terra fofa, escura, cheirando a chuva.

— A gente cava? — Nino perguntou, com os olhos brilhando.

— Cava — o vovô respondeu. — Mas com cuidado.

O vovô trouxe uma pazinha de jardim. “Tchic-tchic-tchic”, eles começaram a cavar juntos. A terra saía em montinhos.

Nino suava um pouquinho e ria.

— Vai ter ouro! — ele dizia.

De repente… a pazinha bateu em algo: “toc!”.

Nino parou. O vovô parou.

— Achamos! — Nino sussurrou, com a voz fininha.

Eles cavaram mais um pouco e apareceu uma caixinha de metal, pequena, com uma tampa.

Nino segurou a caixinha com cuidado, como se fosse um passarinho.

O coração dele fez “tum-tum-tum” bem alto.

— Abre, vovô! Abre! — ele pediu.

O vovô Tibúrcio colocou a mão por cima da mão de Nino.

— Vamos abrir juntos — ele disse.

Nino respirou fundo. “Fuuuu…”

Eles abriram devagar.

Ilustração da história O Mapa do Vovô Tibúrcio

Dentro não tinha moedas de ouro. Não tinha diamante. Não tinha coroa.

Tinha… fotos.

Fotos antigas, com borda branca. Uma foto do vovô pequeno, sorrindo. Uma foto da vovó com vestido florido. Uma foto do vovô segurando um bebê.

— Esse bebê… sou eu? — Nino perguntou, apertando os olhos.

— É você, sim — o vovô falou, e a voz dele ficou macia, bem macia. — Você era pequenininho assim.

Nino pegou outra coisa da caixinha: um carrinho de madeira, bem simples, com rodas tortinhas.

— Uau… — Nino disse, baixinho.

— Esse carrinho foi do meu pai — contou o vovô. — Depois foi meu. E eu guardei pra você.

Nino ficou quieto por um momento. Ele olhou pro carrinho. Olhou pro vovô. Olhou pras fotos.

A chuva tinha parado. O sol apareceu fraquinho, e um passarinho cantou “piu-piu”.

— Mas… cadê o tesouro? — Nino perguntou, ainda confuso.

O vovô encostou a mão no peito.

— O tesouro tá aqui, ó. São as lembranças. E é a gente junto. Eu fiz esse mapa pra você descobrir uma coisa: as coisas mais valiosas não ficam longe. Ficam perto. Ficam com a família.

Nino pensou. Pensou do jeito dele, de criança pequena: simples.

— Então… o tesouro é o vovô? — ele perguntou.

O vovô sorriu. Um sorriso grande.

— E você também é meu tesouro — ele respondeu.

Nino abraçou o vovô com força.

— Apertado, apertado! — ele falou.

— Ai, meu bigode! — o vovô brincou. — Ho-ho-ho!

A mamãe apareceu na varanda, enxugando as mãos no pano de prato.

— E aí? Encontraram o quê? — ela perguntou.

Nino levantou a caixinha.

— A gente achou tesouro de verdade! — ele disse.

— Tesouro de verdade? — a mamãe perguntou.

Nino mostrou as fotos.

— É o vovô pequeno! E eu bebê! E um carrinho! — ele contou, todo animado.

A mamãe se aproximou e olhou as fotos com carinho.

— Que coisa linda — ela disse.

O vovô pegou a caixinha e falou:

— Hoje o Nino achou um tesouro que não enferruja.

— Não enferruja? — Nino perguntou.

— Não — o vovô respondeu. — Porque mora no coração.

Naquela noite, depois do jantar com arroz, feijão e franguinho, Nino sentou com o vovô na varanda. O vento fazia “fuuuush” nas árvores. E o grilo cantava “cri-cri-cri”.

O vovô mostrou uma foto e contou uma história curta de cada uma.

— Aqui foi quando eu aprendi a andar de bicicleta… caí e fiz “pof!” no chão — o vovô disse.

Nino deu risada.

— E doeu? — ele perguntou.

— Doeu um pouquinho — o vovô respondeu. — Mas depois passou.

Nino pegou o carrinho de madeira.

— Eu posso brincar? — ele perguntou.

— Pode, sim — disse o vovô. — Mas com cuidado. Ele é velhinho, igual eu.

Nino fez o carrinho andar no chão da varanda.

— Vruuum… vruuum… — ele fez.

E então ele parou, olhou pro vovô e falou:

— Vovô, amanhã a gente faz outro mapa?

O vovô Tibúrcio coçou o bigode e respondeu:

— Faz. Mas amanhã o tesouro vai ser uma coisa diferente.

— O quê? — Nino perguntou.

O vovô apontou para a rede.

— Amanhã o tesouro é um abraço demorado.

Nino abriu os braços na hora.

— Então vem! — ele disse.

E os dois ficaram ali, abraçados, ouvindo o barulho bom da casa, do quintal e do coração: “tum-tum… tum-tum…”.

E Nino entendeu, bem do jeitinho dele: o maior tesouro estava mesmo pertinho. Pertinho, pertinho.

✨ Moral da História

O maior tesouro é o amor e as lembranças que a gente guarda com a família bem pertinho do coração.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Você já viu um baú ou uma caixa de coisas antigas na sua casa?
  • 2Qual parte você mais gostou: o pé de goiaba, a torneira pingando ou a ponte pequenininha?
  • 3Se você achasse um mapa, para onde você iria primeiro?
  • 4Você tem alguém que é seu tesouro, como o vovô do Nino? Quem é?
  • 5Que barulho você faria para o carrinho: “vruuum” ou outro?

O que achou desta história?

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Raposinha

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