Historias Populares

Chapeuzinho e o Segredo da Floresta Encantada

27 de janeiro de 202611 min de leitura3 a 5 anos2 visualizações

Uma menina corajosa descobre que a floresta guarda segredos mágicos — e que o verdadeiro perigo nem sempre tem dentes afiados. Uma recontagem brasileira do clássico Chapeuzinho Vermelho.

Compartilhar:
Chapeuzinho e o Segredo da Floresta Encantada

Era uma vez, numa cidadezinha cercada por morros verdes e rios cantantes, uma menina chamada Helena. Todo mundo a conhecia como Chapeuzinho, por causa do capuz vermelho que sua avó havia costurado com todo o carinho do mundo. O capuz era feito de um tecido especial, macio como pétala de rosa, e Helena nunca saía de casa sem ele.

Sua avó, Dona Celeste, morava do outro lado da floresta, numa casinha branca com janelas azuis e um jardim cheio de girassóis. Dona Celeste fazia os melhores bolinhos de milho da região — dourados por fora, fofinhos por dentro, com aquele cheirinho que fazia qualquer um sorrir.

Numa manhã de sol, a mãe de Helena preparou uma cesta com frutas frescas, um pote de geleia de goiaba e uma garrafinha de suco de maracujá.

— Leve para sua avó, meu bem — disse a mãe, ajeitando o capuz vermelho na cabeça da filha. — Ela está com um resfriado e precisa se alimentar bem. Mas lembre-se: vá sempre pelo caminho da beira do rio. Não entre na trilha escura do meio da floresta.

— Pode deixar, mamãe! — respondeu Helena com um sorriso, pegando a cesta com as duas mãos.

Helena saiu cantarolando, os pés descalços sentindo a terra morna. O caminho da beira do rio era lindo — borboletas azuis dançavam entre as flores, e os sapos faziam coro nas pedras. Ela conhecia cada curva, cada árvore, cada passarinho que cantava nos galhos.

Mas quando chegou à grande mangueira que marcava a metade do caminho, ouviu uma voz suave vindo da trilha escura:

— Bom dia, menina do capuz vermelho. Por que está com tanta pressa?

Helena parou e olhou. Encostado numa árvore, estava um lobo cinzento de olhos amarelos e sorriso largo. Ele parecia simpático, com o pelo bem penteado e uma flor atrás da orelha.

— Bom dia, senhor Lobo — respondeu Helena, educada como sua mãe lhe ensinara. — Estou levando comida para minha avó, que está dodói.

— Que menina bondosa! — disse o lobo, coçando o queixo. — Mas sabia que pela trilha do meio da floresta o caminho é muito mais curto? Você chegaria lá rapidinho e ainda teria tempo de colher flores para alegrar sua avó.

Helena hesitou. Sua mãe havia dito para não ir por ali... Mas o lobo parecia tão gentil, e a ideia de chegar mais rápido era tentadora.

— Acho melhor não — disse Helena, apertando a cesta contra o peito. — Minha mãe disse para ir pelo rio.

— Como quiser — disse o lobo com um sorriso estranho. E desapareceu entre as árvores como uma sombra.

Helena continuou pelo caminho do rio, mas algo no fundo do coração dizia que precisava andar mais depressa. Seus pés começaram a correr, e logo ela estava quase voando pela trilha.

O que Helena não sabia era que o lobo conhecia um atalho secreto. Ele correu pela trilha escura, saltou sobre troncos caídos, atravessou um riacho e chegou à casinha de Dona Celeste muito antes da neta.

Toc, toc, toc.

— Quem é? — perguntou a vovó de dentro da cama, fungando com o nariz entupido.

— Sou eu, vovó, a Helena! — disse o lobo, imitando a voz da menina.

— Entre, meu amor, a porta está aberta.

O lobo entrou, e com um salto, prendeu Dona Celeste dentro do armário. Depois, vestiu a touca e os óculos da vovó, enfiou-se debaixo das cobertas e esperou.

Pouco tempo depois, Helena chegou. A porta estava entreaberta.

— Vovó? — chamou Helena, entrando devagar.

— Aqui, meu bem, na cama — respondeu uma voz rouca.

Helena se aproximou e franziu a testa.

— Vovó, que olhos grandes a senhora tem hoje...

— É para te ver melhor, querida.

— Vovó, que orelhas enormes...

— É para te ouvir melhor, meu amor.

— E vovó... que boca enorme a senhora tem!

— É para te... PEGAR!

Ilustração da história Chapeuzinho e o Segredo da Floresta Encantada

O lobo saltou da cama com um rugido, mas Helena não ficou parada. Ela lembrou de tudo que sua mãe lhe ensinara sobre coragem. Agarrou a cesta com força e jogou a garrafinha de suco de maracujá bem nos pés do lobo, que escorregou e caiu de costas no chão com um estrondo.

— VOVÓ! — gritou Helena, correndo até o armário e abrindo a porta.

Dona Celeste saiu decidida, segurando sua vassoura favorita.

— Ah, seu lobo safado! Na minha casa, ninguém faz bagunça!

E com uma vassourada certeira, Dona Celeste empurrou o lobo pela porta afora. Ele saiu rolando pelo jardim, derrubando girassóis e espalhando terra para todo lado.

Naquele exato momento, Seu Joaquim, o lenhador que morava na colina, passava pela estrada com seu cachorro Trovão. Ao ver o lobo fugindo da casinha, entendeu tudo na hora.

— Pode parar aí, seu moço! — gritou Joaquim, e Trovão começou a latir tão alto que o lobo gelou de medo.

O lobo, tremendo dos pés à cabeça, olhou para Helena, para Dona Celeste e para o enorme cachorro que rosnava.

— Me desculpem — choramingou o lobo. — Eu estava com tanta fome que perdi a cabeça. Faz dias que não consigo caçar nada.

Helena olhou para a avó. Dona Celeste olhou para Helena. E as duas, que tinham o mesmo coração generoso, tiveram a mesma ideia.

— Senta ali no banco do jardim — disse Dona Celeste. — Vou fazer uma sopa de abóbora que vai encher essa barriga.

O lobo não acreditou. Sentou-se no banco, envergonhado, enquanto Dona Celeste preparava a sopa mais gostosa que ele já tinha provado na vida. Helena sentou ao lado dele e dividiu os bolinhos da cesta.

— Sabe, senhor Lobo — disse Helena —, você não precisava mentir nem assustar ninguém. Era só pedir ajuda.

O lobo abaixou a cabeça.

— Você tem razão. Me desculpe de verdade.

Daquele dia em diante, o lobo nunca mais tentou enganar ninguém. Ele aprendeu a pescar no rio, Dona Celeste lhe ensinou a plantar uma horta, e toda semana Helena passava pela sua toca para deixar um potinho de geleia de goiaba.

E assim, na cidadezinha entre os morros verdes, todo mundo aprendeu que até quem erra merece uma chance — desde que esteja disposto a mudar de verdade.

✨ Moral da História

A coragem verdadeira nasce quando escolhemos proteger quem amamos, mesmo quando sentimos medo.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Se você encontrasse um caminho diferente na floresta, qual escolheria?
  • 2O que você faria se alguém estranho pedisse para mudar de caminho?
  • 3Como você ajudaria a vovó se ela estivesse em perigo?
  • 4Qual parte da história você achou mais emocionante?

O que achou desta história?

Comentários (0)

Raposinha

Deixe seu comentário

Não será exibido publicamente

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!