Fantasia

Rubi, a Raposinha de Papel, e a Fila do Vento

09 de fevereiro de 20267 min de leitura3 a 5 anos24 visualizações
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Rubi, a Raposinha de Papel, e a Fila do Vento

Rubi era uma raposinha feita de papel. Ela tinha orelhas pontudas, dobrinhas bem certinhas e um cachecol verde, preso com um botãzinho brilhante.

Rubi morava no Ateliê de Dobras da Dona Celina. Dona Celina era uma artesã calma. Ela falava baixinho e sorria com os olhos.

No ateliê, tudo era mágico. Quando Dona Celina dobrava o papel, os bichinhos ganhavam vida. Pulavam. Rodopiavam. Davam risadinhas.

Tinha um sapinho de papel. Tinha um peixe de papel. Tinha uma borboleta de papel. E tinha Rubi.

Rubi gostava de duas coisas: correr e ser a primeira. Primeira no pulo. Primeira no giro. Primeira no “olha eu!”.

Um dia, Dona Celina abriu uma caixinha dourada. Dentro, tinha uma fita comprida, que brilhava como sol.

— Hoje é o grande dia — disse Dona Celina. — Hoje tem o Desfile do Vento!

O Desfile do Vento era na Praça das Bandeirinhas. Uma praça lá fora, onde o vento fazia cócegas nas árvores.

— Para desfilar, a gente usa a Fita da Vez — explicou Dona Celina. — Ela ajuda todo mundo a brincar bem.

A fita mexeu sozinha e fez um “fiiiu”. E, bem baixinho, ela pareceu dizer:

“Um de cada vez. Um de cada vez.”

Rubi arregalou os olhos.

— Eu vou ser a primeira! — ela falou. — Eu vou! Eu vou!

Dona Celina pegou um potinho com estrelinhas de cola.

— Antes do desfile, cada um vai ganhar um toque de brilho. Mas é assim: fila, fila, fila. Um de cada vez.

O sapinho entrou na fila. O peixe entrou na fila. A borboleta entrou na fila.

Rubi olhou a fila e balançou o rabinho de papel.

— Fila é devagar — ela sussurrou. — Eu sou rápida.

E, bem de mansinho, Rubi passou na frente.

Ilustração da história Rubi, a Raposinha de Papel, e a Fila do Vento

— Ei… — disse o sapinho. — Ué… — disse o peixe. — Oh… — disse a borboleta.

A fita brilhou menos. E repetiu, bem clarinha:

“Um de cada vez. Um de cada vez.”

Dona Celina olhou com carinho.

— Rubi, quando a gente passa na frente, o coração do outro fica apertadinho. Vamos tentar de novo?

Rubi fez uma carinha de “hummm”.

— Mas eu quero agora.

— Eu sei — disse Dona Celina. — Querer agora é normal. Mas brincar junto pede espera.

Rubi suspirou. Suspirou de papel. Um “fuu”.

Mesmo assim, ela não queria esperar.

Logo depois, todos foram para a Praça das Bandeirinhas. O céu estava azul. As bandeirinhas dançavam.

No meio da praça, tinha um arco de vento. Era como um portal feito de brisa.

Para entrar no arco e desfilar, tinha uma fila bem grande. A Fita da Vez estava no chão, fazendo um caminho brilhante.

Dona Celina disse:

— Um de cada vez. Passo por passo.

O sapinho ficou na frente. Depois o peixe. Depois a borboleta. E Rubi ficou… atrás.

Rubi olhou o arco de vento.

— Eu quero já — ela repetiu. — Eu quero já.

Ela esticou as patinhas e… plim! Passou por baixo da fita e correu para a frente.

Ilustração da história Rubi, a Raposinha de Papel, e a Fila do Vento

No mesmo instante, o vento ficou confuso. O arco de vento fez “whoooosh” e rodou para o lado.

As bandeirinhas embolaram. A fila virou um montinho. Não era um machucado. Era só uma baguncinha.

O sapinho caiu sentado. O peixe rodou como um pião. A borboleta ficou tonta, tonta.

E Rubi? Rubi parou.

Ela viu os amigos com carinhas assustadas. Ela viu a fita sem brilho.

A fita da vez sussurrou, bem fraquinho:

“Um de cada vez…”

Rubi sentiu algo diferente. Um aperto pequenininho, bem no meio do peito de papel.

— Eu… eu baguncei — ela falou baixinho.

Dona Celina se aproximou devagar.

— Rubi, o vento gosta de ordem. E os amigos gostam de respeito.

Rubi olhou para o sapinho.

— Desculpa, sapinho.

Olhou para o peixe.

— Desculpa, peixe.

Olhou para a borboleta.

— Desculpa, borboleta.

Os três ficaram quietinhos um segundo. Depois, o sapinho disse:

— Eu aceito.

O peixe disse:

— Eu aceito.

A borboleta disse:

— Eu aceito.

A fita brilhou um pouquinho de novo.

Dona Celina agachou bem perto de Rubi.

— Vamos aprender um truque de espera? Quando der vontade de passar na frente, a gente faz assim: respira… e conta: um, dois, três.

Rubi tentou.

— Um… dois… três… — ela contou.

E a vontade de correr ficou menor. Menor. Menorzinha.

A fila se arrumou. A Fita da Vez fez o caminho brilhante outra vez.

O sapinho foi primeiro, como estava combinado. Depois o peixe. Depois a borboleta.

Rubi ficou na vez dela.

Ela olhou o arco de vento. Ela olhou a fita. Ela olhou os amigos.

E repetiu com a fita:

— Um de cada vez. Um de cada vez.

Chegou a vez de Rubi.

Ela entrou no arco de vento devagar. Bem devagar.

O vento fez carinho no cachecol verde. As dobrinhas não amassaram. As orelhas não entortaram.

Rubi desfilou. Um passinho. Mais um passinho.

E todo mundo aplaudiu com alegria.

Ilustração da história Rubi, a Raposinha de Papel, e a Fila do Vento

No fim, Dona Celina deu um toque de brilho em cada bichinho. E deu um toque especial em Rubi.

— Isso é brilho de cuidado — disse ela. — Brilho de quem espera e deixa o outro brilhar também.

Rubi sorriu.

— Esperar é difícil… — ela falou. — Sim — disse Dona Celina. — Mas esperar ajuda — completou Rubi.

E, daquele dia em diante, quando Rubi via uma fila, ela lembrava:

“Um de cada vez. Um de cada vez.”

E o vento, feliz, dançava direitinho na praça.

✨ Moral da História

Quando a gente espera a vez e respeita a fila, a brincadeira fica mais justa e feliz para todos.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Por que a fita dizia: “Um de cada vez”?
  • 2Como os amigos da Rubi se sentiram quando ela passou na frente?
  • 3Qual foi o truque que a Dona Celina ensinou para ajudar a esperar?
  • 4Em que lugar você precisa esperar a sua vez (na escola, no parquinho, em casa)?

O que achou desta história?

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Raposinha

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