Rubi, a Raposinha de Papel, e a Fila do Vento

Rubi era uma raposinha feita de papel. Ela tinha orelhas pontudas, dobrinhas bem certinhas e um cachecol verde, preso com um botãzinho brilhante.
Rubi morava no Ateliê de Dobras da Dona Celina. Dona Celina era uma artesã calma. Ela falava baixinho e sorria com os olhos.
No ateliê, tudo era mágico. Quando Dona Celina dobrava o papel, os bichinhos ganhavam vida. Pulavam. Rodopiavam. Davam risadinhas.
Tinha um sapinho de papel. Tinha um peixe de papel. Tinha uma borboleta de papel. E tinha Rubi.
Rubi gostava de duas coisas: correr e ser a primeira. Primeira no pulo. Primeira no giro. Primeira no “olha eu!”.
Um dia, Dona Celina abriu uma caixinha dourada. Dentro, tinha uma fita comprida, que brilhava como sol.
— Hoje é o grande dia — disse Dona Celina. — Hoje tem o Desfile do Vento!
O Desfile do Vento era na Praça das Bandeirinhas. Uma praça lá fora, onde o vento fazia cócegas nas árvores.
— Para desfilar, a gente usa a Fita da Vez — explicou Dona Celina. — Ela ajuda todo mundo a brincar bem.
A fita mexeu sozinha e fez um “fiiiu”. E, bem baixinho, ela pareceu dizer:
“Um de cada vez. Um de cada vez.”
Rubi arregalou os olhos.
— Eu vou ser a primeira! — ela falou. — Eu vou! Eu vou!
Dona Celina pegou um potinho com estrelinhas de cola.
— Antes do desfile, cada um vai ganhar um toque de brilho. Mas é assim: fila, fila, fila. Um de cada vez.
O sapinho entrou na fila. O peixe entrou na fila. A borboleta entrou na fila.
Rubi olhou a fila e balançou o rabinho de papel.
— Fila é devagar — ela sussurrou. — Eu sou rápida.
E, bem de mansinho, Rubi passou na frente.

— Ei… — disse o sapinho. — Ué… — disse o peixe. — Oh… — disse a borboleta.
A fita brilhou menos. E repetiu, bem clarinha:
“Um de cada vez. Um de cada vez.”
Dona Celina olhou com carinho.
— Rubi, quando a gente passa na frente, o coração do outro fica apertadinho. Vamos tentar de novo?
Rubi fez uma carinha de “hummm”.
— Mas eu quero agora.
— Eu sei — disse Dona Celina. — Querer agora é normal. Mas brincar junto pede espera.
Rubi suspirou. Suspirou de papel. Um “fuu”.
Mesmo assim, ela não queria esperar.
Logo depois, todos foram para a Praça das Bandeirinhas. O céu estava azul. As bandeirinhas dançavam.
No meio da praça, tinha um arco de vento. Era como um portal feito de brisa.
Para entrar no arco e desfilar, tinha uma fila bem grande. A Fita da Vez estava no chão, fazendo um caminho brilhante.
Dona Celina disse:
— Um de cada vez. Passo por passo.
O sapinho ficou na frente. Depois o peixe. Depois a borboleta. E Rubi ficou… atrás.
Rubi olhou o arco de vento.
— Eu quero já — ela repetiu. — Eu quero já.
Ela esticou as patinhas e… plim! Passou por baixo da fita e correu para a frente.

No mesmo instante, o vento ficou confuso. O arco de vento fez “whoooosh” e rodou para o lado.
As bandeirinhas embolaram. A fila virou um montinho. Não era um machucado. Era só uma baguncinha.
O sapinho caiu sentado. O peixe rodou como um pião. A borboleta ficou tonta, tonta.
E Rubi? Rubi parou.
Ela viu os amigos com carinhas assustadas. Ela viu a fita sem brilho.
A fita da vez sussurrou, bem fraquinho:
“Um de cada vez…”
Rubi sentiu algo diferente. Um aperto pequenininho, bem no meio do peito de papel.
— Eu… eu baguncei — ela falou baixinho.
Dona Celina se aproximou devagar.
— Rubi, o vento gosta de ordem. E os amigos gostam de respeito.
Rubi olhou para o sapinho.
— Desculpa, sapinho.
Olhou para o peixe.
— Desculpa, peixe.
Olhou para a borboleta.
— Desculpa, borboleta.
Os três ficaram quietinhos um segundo. Depois, o sapinho disse:
— Eu aceito.
O peixe disse:
— Eu aceito.
A borboleta disse:
— Eu aceito.
A fita brilhou um pouquinho de novo.
Dona Celina agachou bem perto de Rubi.
— Vamos aprender um truque de espera? Quando der vontade de passar na frente, a gente faz assim: respira… e conta: um, dois, três.
Rubi tentou.
— Um… dois… três… — ela contou.
E a vontade de correr ficou menor. Menor. Menorzinha.
A fila se arrumou. A Fita da Vez fez o caminho brilhante outra vez.
O sapinho foi primeiro, como estava combinado. Depois o peixe. Depois a borboleta.
Rubi ficou na vez dela.
Ela olhou o arco de vento. Ela olhou a fita. Ela olhou os amigos.
E repetiu com a fita:
— Um de cada vez. Um de cada vez.
Chegou a vez de Rubi.
Ela entrou no arco de vento devagar. Bem devagar.
O vento fez carinho no cachecol verde. As dobrinhas não amassaram. As orelhas não entortaram.
Rubi desfilou. Um passinho. Mais um passinho.
E todo mundo aplaudiu com alegria.

No fim, Dona Celina deu um toque de brilho em cada bichinho. E deu um toque especial em Rubi.
— Isso é brilho de cuidado — disse ela. — Brilho de quem espera e deixa o outro brilhar também.
Rubi sorriu.
— Esperar é difícil… — ela falou. — Sim — disse Dona Celina. — Mas esperar ajuda — completou Rubi.
E, daquele dia em diante, quando Rubi via uma fila, ela lembrava:
“Um de cada vez. Um de cada vez.”
E o vento, feliz, dançava direitinho na praça.
✨ Moral da História
“Quando a gente espera a vez e respeita a fila, a brincadeira fica mais justa e feliz para todos.”
Vamos Conversar?
Perguntas para conversar com a criança após a leitura:
- 1Por que a fita dizia: “Um de cada vez”?
- 2Como os amigos da Rubi se sentiram quando ela passou na frente?
- 3Qual foi o truque que a Dona Celina ensinou para ajudar a esperar?
- 4Em que lugar você precisa esperar a sua vez (na escola, no parquinho, em casa)?
O que achou desta história?
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