Teco, o Tatuzinho, e o Girassol

Teco era um tatuzinho pequeno. Ele morava num quintal gostoso, com terra fofinha. No quintal tinha um varal, uma bacia azul e um cheirinho de chuva.
Teco morava com a família dele. Tinha a Mamãe Tata. Tinha o Papai Tito. E tinha a Vovó Tuca, que gostava de sentar na cadeira e contar coisas antigas.
Todo dia, a família dizia uma coisa importante: — Aqui a gente cuida um do outro. E Teco repetia, bem baixinho: — Cuida… cuida…
Um dia, Mamãe Tata apareceu com um vasinho. Dentro do vaso tinha uma plantinha. Uma plantinha com folhas verdes.
— É um girassol! — disse Mamãe Tata. — Ele vai crescer alto. Bem alto. — E vai ficar amarelo. Bem amarelo.
Teco abriu os olhos. Girassol era uma palavra grande. Mas a plantinha era pequena.
Mamãe Tata colocou o vaso num cantinho do quintal. — Aqui ele toma sol. — Aqui ele toma água. — Aqui ele fica seguro.
Teco olhou o vaso. E olhou a terra. Terra era o que Teco mais amava.
Ele pensou: “Eu posso ajudar.” Ele pensou: “Eu posso cavar.”
Teco chegou pertinho. Bem pertinho. Ele encostou o focinho na terra. Cheirou. E sorriu.
Aí ele começou. Cavou, cavou, cavou. Devagarinho. Cavou, cavou, cavou. Mais um pouquinho.

Só que… a terra era fofinha demais. E o vaso ficou bambo. Balançou. Balançou de novo.
Teco parou. O coração dele fez tum-tum. Tum-tum.
Mas foi tarde. O vaso tombou. A plantinha caiu de lado. Uma folhinha dobrou.
Teco ficou congelado. As patinhas dele ficaram quietas. Os olhinhos ficaram grandes.
— Ih… — fez Teco. Bem baixinho. — Ih… ih…
Ele olhou para um lado. Olhou para o outro. E correu para trás da bacia azul. Bem escondidinho.
Quando Mamãe Tata voltou, ela viu. O vaso no chão. A terra espalhada. A plantinha caída.

Mamãe Tata não gritou. Ela respirou. Ela ficou triste, com a testa amassada.
— Meu girassol… — ela falou baixinho. — Eu cuidei com carinho.
Teco ouviu tudo. Atrás da bacia azul, ele tremia. O coração dele fazia tum-tum, tum-tum.
Papai Tito chegou. Vovó Tuca chegou. Eles olharam o vaso caído.
— Foi um vento? — perguntou Papai Tito. — Foi um cachorro? — perguntou Vovó Tuca.
Teco engoliu seco. Ele pensou: “Fui eu.”
Mas a boca dele não abria. A garganta dele ficou pequenininha.
Naquele dia, Teco não quis brincar. Não quis cavar. Não quis nem cheirar a chuva.
Na hora do banho, Mamãe Tata percebeu. — Teco, cadê seu sorriso?
Teco olhou para o chão. — Meu sorriso… tá escondido.
Mamãe Tata se agachou. Ficou do tamanho de Teco. Falou bem mansinho: — Quando a gente erra, a gente pode fazer uma coisa. — A gente pode dizer “desculpa”. — E a gente pode tentar consertar.
Teco piscou. — Con… ser… tar?
— Isso. — disse Mamãe Tata. — Consertar é cuidar depois do erro. — É mostrar amor, mesmo depois do “ih…”.
Teco sentiu um calorzinho no peito. Ele respirou. Uma vez. Duas vezes.
E saiu de trás do medo. Devagarinho. Bem devagarinho.
Ele foi até o cantinho do quintal. Onde o vaso tinha caído. Mamãe Tata estava lá.
Teco levantou a cabeça. Os olhos dele ficaram molhados.
— Mamãe… — disse Teco. — Foi eu. — Eu cavei. — Eu derrubei.
Mamãe Tata olhou para ele. E esperou. Esperou com calma.
Teco apertou as patinhas. E falou, com voz pequena: — Desculpa. — Desculpa, desculpa.
Mamãe Tata puxou Teco para um abraço. Um abraço quentinho. — Obrigada por falar a verdade, meu filho. — Eu fiquei triste. — Mas eu te amo. — E vamos cuidar disso juntos.
“Juntos” era uma palavra boa. Teco gostou. — Juntos! — ele repetiu. — Juntos, juntos!
Então a família fez uma roda no quintal. Papai Tito pegou uma pazinha. Vovó Tuca pegou um copinho de água. Mamãe Tata pegou um vaso firme. E Teco… Teco trouxe a melhor coisa: as patinhas prontas para ajudar.
Eles colocaram a terra de volta. Com calma. Com carinho.
Teco segurou a plantinha bem reta. Bem retinha. — Fica em pé, girassol. Fica em pé.
Papai Tito disse: — Devagarinho.
Vovó Tuca disse: — Com cuidado.
Mamãe Tata disse: — Com amor.
E Teco repetiu: — Devagarinho. Com cuidado. Com amor.
Quando terminou, o girassol estava no vaso de novo. Com a folhinha meio torta. Mas vivo. E verdinho.
Aí Mamãe Tata teve uma ideia. — Teco, você ama cavar, né?
— Amo! — disse Teco. — Amo, amo!
— Então vamos fazer um cantinho só para cavar. — falou ela.
Eles pegaram uma caixa grande. Colocaram terra dentro. Colocaram pedrinhas. Colocaram folhas secas.
— Aqui é seu “cantinho de cavar”. — disse Papai Tito. — Aqui você pode cavar, cavar, cavar.
Teco pulou de alegria. — Meu cantinho! Meu cantinho!
E Mamãe Tata apontou para o girassol. — E aqui é o “cantinho de cuidar”. — Antes de cavar perto dele, você me chama.
— Eu chamo! — disse Teco. — Eu chamo, eu chamo.
No fim da tarde, o sol ficou laranjinha. A família sentou junta. Teco ficou no colo da Mamãe Tata.
Ele olhou para o vaso. Olhou para o cantinho de cavar. E sentiu o peito bem leve.
— Mamãe… — disse ele. — Meu “desculpa” consertou?
Mamãe Tata beijou a testa dele. — Seu “desculpa” abriu a porta. — E suas mãos ajudando fizeram o resto. — Na nossa família, a gente erra. — E a gente cuida. — De novo.
Teco sorriu. O sorriso dele não estava mais escondido.
E, bem baixinho, como uma música simples, ele repetiu: — A gente cuida. — A gente cuida. — A gente cuida.

E o girassol, quietinho, parecia concordar. Porque amor de família é assim: quando cai, a gente levanta junto. Quando dói, a gente abraça junto. E quando melhora… melhora junto.
Fim.
✨ Moral da História
“Quando a gente erra com alguém da família, pedir desculpas e ajudar a consertar fortalece o amor.”
Vamos Conversar?
Perguntas para conversar com a criança após a leitura:
- 1Como você acha que o Teco se sentiu quando o vaso caiu?
- 2O que a gente pode dizer quando faz algo que deixa alguém triste?
- 3Que jeito você gosta de ajudar em casa, bem pequenininho, com carinho?
- 4Por que foi importante a família consertar tudo juntos?
O que achou desta história?
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