Família

Nina, a Caranguejinha do Mangue, e o Dia do Obrigado

31 de janeiro de 20267 min de leitura3 a 5 anos20 visualizações
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Nina, a Caranguejinha do Mangue, e o Dia do Obrigado

Nina era uma caranguejinha bem pequena. Ela era vermelhinha, tinha olhos grandes e curiosos, e usava uma faixinha amarela na cabeça, com uma presilha de estrelinha-do-mar.

Nina morava no mangue, um lugar com lama macia, raízes altas e água que sobe e desce. Ali, tudo tinha cheiro de mar. Ali, tudo fazia “ploc ploc”.

Na família de Nina moravam muitos caranguejos juntos. Tinha a Mamãe Lili, o Papai Bento, a Vovó Nena e o irmãozinho Tito, que ainda era bem pequenininho.

Todo dia era parecido. E todo dia era especial.

A Mamãe Lili dizia: — Na nossa família, a gente cuida.

O Papai Bento dizia: — Na nossa família, a gente cuida.

A Vovó Nena cantava baixinho: — Na nossa família, a gente cuida…

Nina gostava dessa frase. Ela gostava muito.

Um dia, Nina ouviu uma notícia.

Na Escolinha do Mangue, ia ter o Dia da Família. Um dia para fazer carinho. Um dia para mostrar amor.

Nina abriu um sorriso.

Depois, Nina pensou e ficou séria.

— Eu preciso dar uma coisa bem grande — ela cochichou. — Uma coisa enorme! Uma coisa que diga: “Eu amo vocês!”

E Nina saiu andando de ladinho. Bem depressa. “Tic tic tic.”

Ilustração da história Nina, a Caranguejinha do Mangue, e o Dia do Obrigado

Nina olhou ao redor do mangue. Viu a Mamãe Lili arrumando a casinha na toca.

A Mamãe colocava folhas macias no chão. — Para ficar quentinho — disse ela.

Nina viu o Papai Bento chegando com comida. Ele trazia pedacinhos cheirosos do mar. — Para a barriga ficar feliz — disse ele.

Nina viu a Vovó Nena balançando devagar. Ela cuidava do Tito. — Para ele dormir em paz — cantou a vovó.

Nina pensou: — Eles fazem tanta coisa… Eu preciso fazer uma coisa maior ainda.

Nina foi até a beira do mangue, onde tinha plantas altas.

Ela viu uma flor bonita. Uma flor grande. Uma flor amarela.

— É isso! — disse Nina. — Uma flor gigante!

Nina segurou a flor com as pinças. Puxou. Puxou. Puxou.

A flor não saiu.

Nina puxou mais um pouco.

E… PLOFT!

Nina caiu sentadinha na lama. A flor saiu, sim. Mas era pesada. E era maior do que a cabeça dela.

Nina tentou carregar. Um passo. Dois passos.

A flor bateu na raiz. A flor caiu. Nina escorregou.

— Ai, ai, ai… — disse Nina, com a lama na bochecha.

Ela respirou. Ela tentou de novo.

Mas ficou difícil. Bem difícil.

Ilustração da história Nina, a Caranguejinha do Mangue, e o Dia do Obrigado

Nina parou e olhou para o céu. O vento passou. A maré começou a mudar. A água fazia “shhh”.

Nina sentiu um aperto pequenininho no peito.

— Eu queria dar um presente grande… — ela falou baixinho. — Mas eu sou pequena.

Nesse momento, a Mamãe Lili apareceu. — Nina, você está aí?

O Papai Bento veio junto. — Filha, você escorregou?

A Vovó Nena veio também, devagar. — O que foi, meu docinho de mangue?

Nina olhou para eles. Olhou para a flor grande. Olhou para a lama.

E então Nina viu uma coisa.

Viu as patinhas da mamãe cheias de folhas, arrumando a casa. Viu o papai segurando comida para todos. Viu a vovó com o Tito no colo, cantando.

Nina lembrou do que eles sempre diziam: — Na nossa família, a gente cuida.

Nina pensou: — Amor não é só coisa grande. Amor pode ser coisa pequena.

Nina levantou as pinças e falou, com voz clara: — Obrigada, Mamãe. — Obrigada, Papai. — Obrigada, Vovó.

A mamãe sorriu. O papai sorriu. A vovó sorriu.

— Ai, Nina… — disse a mamãe. — Seu “obrigada” é um abraço.

Nina gostou disso.

Ela teve uma ideia. Uma ideia simples. Uma ideia boa.

— Eu vou fazer o Dia do Obrigado aqui em casa! — disse Nina.

E lá foi Nina andando de ladinho. “Tic tic tic.”

Ela pegou uma conchinha brilhante. — Essa é para dizer: “Obrigada por me alimentar.”

Pegou outra conchinha. — Essa é para dizer: “Obrigada por me colocar para dormir.”

Pegou mais uma. — Essa é para dizer: “Obrigada por brincar comigo.”

Nina colocou as conchinhas dentro de uma casca redonda, como uma caixinha.

Depois, Nina foi cuidar também. Cuidar do jeito dela.

Ela varreu a entrada da toca com uma folha. “Vruu vruu.”

Ela ajudou o Tito a achar seu brinquedo, um gravetinho. — Achou! Achou! — disse Nina. Tito bateu as patinhas: “ploc ploc!”

Ela levou um pedacinho de comida para a vovó. — Para a senhora ficar forte.

E toda hora Nina repetia: — Na nossa família, a gente cuida.

Quando chegou a tarde, o céu ficou mais escuro. A maré subiu mais rápido. A água começou a entrar pelos caminhos do mangue.

O Papai Bento olhou. — Hum… a água está vindo.

A Mamãe Lili pegou o Tito. A Vovó Nena foi atrás.

Nina percebeu que o caminho de sempre estava molhado demais.

Mas Nina conhecia um atalho. Um atalho seguro, entre duas raízes grandes.

— Por aqui! Por aqui! — disse Nina.

Ela fez um barulhinho com as pinças: — Toc! Toc! Toc!

A família olhou para Nina. E seguiu Nina.

Juntos, eles chegaram na toca mais alta, bem sequinha.

Lá dentro, todos respiraram aliviados.

A Mamãe Lili beijou a testa de Nina. — Você cuidou da gente.

O Papai Bento encostou a pinça na pinça de Nina. — Você ajudou a família.

A Vovó Nena cantou: — Na nossa família, a gente cuida…

Nina abriu a caixinha de conchinhas.

— Agora é o Dia do Obrigado! — disse Nina.

Ilustração da história Nina, a Caranguejinha do Mangue, e o Dia do Obrigado

Eles sentaram juntinhos. Bem juntinhos.

Nina pegou a primeira conchinha. — Obrigada, Mamãe, por arrumar nossa casa.

A mamãe pegou outra. — Obrigada, Nina, por ver meu cuidado.

O papai pegou outra. — Obrigado, família, por esperar eu chegar com a comida.

A vovó pegou outra. — Obrigada, meus amores, por me deixarem cantar.

Até o Tito ganhou uma conchinha pequenininha. Ele só falou: — O-bi-ga! — e riu.

Todo mundo riu também.

E Nina sentiu o coração quentinho.

Ela entendeu. Amor de família não precisa ser enorme. Amor de família pode ser todo dia. Pode ser cuidado. Pode ser “obrigado”.

E, naquela noite, antes de dormir, Nina repetiu bem baixinho: — Na nossa família, a gente cuida.

E a família respondeu, juntinha: — A gente cuida. A gente cuida. A gente cuida.

✨ Moral da História

O amor em família cresce quando a gente percebe o cuidado do outro e diz “obrigado” com gestos simples.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Qual foi a coisa que a Nina tentou fazer para dar um presente bem grande?
  • 2Quem cuida da Nina na história? E como cada um cuida?
  • 3Qual conchinha do “Dia do Obrigado” você daria para alguém da sua família? Por quê?
  • 4Que gesto pequeno você pode fazer hoje para cuidar da sua família?

O que achou desta história?

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Raposinha

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