Historias Populares

O Gato de Botas da Rua Augusta

27 de janeiro de 20269 min de leitura6 a 8 anos3 visualizações

Um gato de rua astuto e charmoso ajuda seu jovem dono a transformar a vida na maior cidade do Brasil. Uma aventura urbana cheia de esperteza, humor e coração.

Compartilhar:
O Gato de Botas da Rua Augusta

Na Rua Augusta, bem no coração de São Paulo, onde os prédios tocam o céu e o barulho nunca para, vivia um menino chamado Miguel. Tinha dezesseis anos, cabelo encaracolado, olhos grandes e sonhadores, e morava num quartinho nos fundos da padaria onde trabalhava como ajudante.

Miguel não tinha muito. Seu pai, Seu Jorge, tinha sido padeiro a vida inteira e morrera deixando para o filho mais velho a padaria, para o do meio o carro, e para Miguel — o caçula — apenas um gato de rua que sempre dormia na porta do forno.

— Um gato? — reclamaram os irmãos, rindo. — O pai te deixou um gato!

Miguel não se importou. Pegou o gato no colo — um bichano laranja listrado, com olhos verdes espertos e um jeito de quem sabe mais do que mostra — e levou para o quartinho.

— Pelo menos tenho sua companhia, né, amigo? — disse Miguel, fazendo carinho atrás da orelha do gato.

E então o gato falou.

— Companhia? Rapaz, você não sabe o tesouro que tem. Me dá um par de botas e deixa comigo.

Miguel quase caiu da cadeira.

— Você... fala?

— Falo, penso e planejo. Agora, as botas. Vermelhas, de preferência. E um boné também, se não for pedir demais.

Miguel, que já não tinha nada a perder, foi ao brechó da esquina e comprou um par de botinhas vermelhas de couro e um boné xadrez. O gato calçou as botas, ajeitou o boné na cabeça e se olhou no espelho da vitrine.

— Perfeito. Agora, me chame de Bota. E preste atenção: em uma semana, sua vida vai mudar.

E Bota saiu pela Rua Augusta como se fosse dono da cidade.

Primeiro, foi ao Mercado Municipal. Com seu charme e lábia, convenceu os feirantes a lhe darem as melhores frutas do dia.

— São para o grande chef Miguel — dizia Bota, estufando o peito. — Ele está preparando um banquete para a Dona Fernanda, a empresária mais importante de São Paulo.

Os feirantes ficaram impressionados e encheram cestas com mangas, maracujás, goiabas e abacaxis.

Bota levou tudo até o escritório de Dona Fernanda — uma mulher elegante que comandava uma rede de restaurantes famosos — e apresentou as frutas como se fossem obra de arte.

— Meu jovem mestre Miguel seleciona pessoalmente cada fruta pela cor, aroma e textura — disse Bota, fazendo uma reverência. — Ele é o talento mais promissor da gastronomia paulistana.

Dona Fernanda provou uma fatia de manga e arregalou os olhos.

— Extraordinário! Quero conhecer esse tal de Miguel.

Enquanto isso, Bota correu de volta ao quartinho da padaria.

— Miguel, levanta! Tira essa farinha do cabelo e veste a camisa mais bonita que tiver. Dona Fernanda quer te conhecer.

— Dona Fernanda?! A dos restaurantes?! Eu sou só um ajudante de padaria!

— Você era um ajudante de padaria — corrigiu Bota. — Agora você é o Chef Miguel.

Miguel, tremendo, vestiu sua melhor roupa — uma camisa social que era do pai — e foi ao encontro de Dona Fernanda. Bota ia ao lado, sussurrando instruções.

— Fale com confiança. Olhe nos olhos. E quando ela perguntar sua especialidade, diga: "Eu transformo ingredientes simples em experiências inesquecíveis."

Miguel repetiu a frase, e para sua surpresa, Dona Fernanda ficou encantada.

— Preciso de alguém assim para o meu novo restaurante! Faça um prato para mim amanhã e, se for bom, o emprego é seu.

Miguel entrou em pânico quando voltou para casa.

— Bota, eu mal sei fritar um ovo direito!

— Você sabe mais do que pensa — disse o gato calmamente. — Seu pai te ensinou a fazer pão desde os seis anos. Você sabe amassar, sovar, sentir a massa, entender o fermento. Cozinhar é isso — é sentir. O resto a gente inventa.

Naquela noite, os dois trabalharam juntos. Bota tinha um paladar incrível e orientava cada passo. Miguel fez o que sabia de melhor: um pão artesanal com recheio de goiabada cascão e queijo coalho, servido com uma geleia de maracujá feita do zero.

Quando Dona Fernanda provou, fechou os olhos e sorriu.

— Simples, honesto e delicioso. Você está contratado.

Em seis meses, Miguel se tornou o chef mais querido de São Paulo. Seu restaurante, chamado "Pão com Alma", ficava na Rua Augusta — no mesmo quartinho onde ele morava, reformado e transformado. O cardápio era simples: pães artesanais, receitas da roça, sabores que lembravam casa. E cada prato era feito com o mesmo amor que Seu Jorge colocava nos pães da padaria.

Os irmãos, que tinham rido de Miguel, agora vinham jantar toda sexta-feira. Miguel os recebia com abraços — sem rancor, sem mágoa.

E Bota? Bota virou o mascote oficial do restaurante. Tinha sua própria cadeira na entrada, usava suas botinhas vermelhas todos os dias e recebia os clientes com um aceno elegante do boné.

— Bota — disse Miguel uma noite, depois de fechar o restaurante —, por que você me ajudou?

O gato ronronou e disse:

— Porque seu pai me deu comida quando eu era um gato de rua faminto, e eu nunca esqueci. A gratidão é a melhor bota que se pode calçar, rapaz. Com ela, você vai a qualquer lugar.

✨ Moral da História

A inteligência e a criatividade são os maiores tesouros que alguém pode ter — com elas, qualquer situação pode virar uma grande oportunidade.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Você acha que o Gato foi esperto ou trapaceiro? Qual a diferença?
  • 2Se você tivesse um amigo tão esperto quanto o Gato, o que pediriam juntos?
  • 3O que é mais importante: ter coisas ou ter amigos inteligentes?
  • 4Como você usaria sua criatividade para resolver um problema?

O que achou desta história?

Histórias Relacionadas

Comentários (0)

Raposinha

Deixe seu comentário

Não será exibido publicamente

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!