O Beija-flor que Apagou o Incêndio
Um pequeno beija-flor tenta apagar um incêndio na floresta gota por gota, inspirando todos os animais a ajudar.

Na beira de uma floresta bem verdinha do Brasil, perto de um rio que fazia “shhh… shhh…”, morava um beija-flor bem pequenininho.
O nome dele era Tito.
Tito tinha penas verdes que brilhavam no sol, como folha molhada. Quando ele voava, fazia “vruuum, vruuum!” com as asinhas rápidas. Ele gostava de cheirar flores, beber néctar docinho e dizer “piu-piu!” para todo mundo.
A floresta era cheia de vida.
Tinha um macaco bagunceiro chamado Zeca, que pulava e gritava: — Uuu-uu! Uuu-uu!
Tinha uma onça-pintada chamada Dona Jurema, grande e forte, que andava devagar e cuidava da mata.
Tinha uma capivara chamada Cacá, que adorava ficar pertinho do rio, molhando as patinhas.
E tinha um tatu chamado Téo, que vivia cavando buracos com “toc-toc-toc”.
Numa manhã quentinha, Tito acordou cedo. O céu estava azul, azul. Mas… de repente, ele sentiu um cheiro esquisito.
— Cheiro de fumaça? — Tito falou baixinho.
Ele voou mais alto. “Vruuum! Vruuum!”
E viu uma coisa muito triste.
Lá longe, entre as árvores, subia uma fumaça cinza. E… tinha fogo!
As chamas faziam “fuuush! fuuush!” e o vento soprava “whoooosh!”, empurrando o fogo para frente.
— Socorro! — gritou o macaco Zeca, pulando de galho em galho. — O fogo tá chegando!
Os passarinhos voavam assustados.
Os bichos corriam para todo lado.
Dona Jurema apareceu com os olhos bem abertos: — Precisamos sair daqui! — ela disse, séria.
A capivara Cacá tremia: — E o nosso rio? E as nossas árvores?
O tatu Téo colocou a cabeça para fora do buraco: — Eu vou me esconder! — ele falou. — É muito fogo!
Tito ficou com o coração apertado. Ele era pequeno. Muito pequeno.
Mas ele olhou para o rio ali pertinho. O rio fazia “shhh… shhh…”, como se chamasse.
Tito pensou: “Eu posso fazer alguma coisa.”
Ele voou até o rio. “Vruuum, vruuum!”
Chegou bem baixinho e pegou uma gotinha de água no bico. Uma gotinha só! Bem pequenina.
— Pronto! — disse Tito. — Uma gota!
Ele voou de volta para o fogo.
E deixou cair a gota em cima de uma folha que estava pegando fogo.
“Plic!”
A gotinha fez um barulhinho pequeno.
O fogo nem parou. Ele continuou “fuuush! fuuush!”
O macaco Zeca viu e riu de nervoso: — Tito, você tá maluco? Uma gotinha? Isso não apaga nada!
Dona Jurema balançou a cabeça: — Beija-flor, você vai se cansar.
Tito respirou fundo. Ele estava com medo, sim. Mas estava com mais vontade ainda de ajudar.
— Eu sei que é pouco — falou Tito. — Mas é o que eu consigo.
E ele voltou ao rio.
“Vruuum! Vruuum!”
Pegou outra gotinha.
“Plic!”
E outra.
“Plic!”
E outra.
“Plic! Plic! Plic!”
As asas dele iam “vruuum, vruuum, vruuum!” sem parar.
Logo, o bico dele ficou molhado. O peito dele subia e descia, cansado.
Mas Tito não parava.
Cacá, a capivara, olhou para Tito com olhos grandes: — Ele é tão pequeno… e tá tentando.
Téo, o tatu, coçou a cabeça: — Ele não desistiu.
Zeca, o macaco, parou de pular por um segundo: — Ele tá indo e voltando. Indo e voltando.
O fogo crescia e fazia um barulho alto.
“CRAC!”
Um galho caiu.
Os animais ficaram com mais medo.
Dona Jurema deu um passo para trás.
E Tito… Tito voou mais rápido ainda.
— Eu tô fazendo minha parte! — ele gritava enquanto voava. — Minha parte! Minha parte!
O vento soprou forte.
“Whoooosh!”
As chamas avançaram e ficaram bem perto de um ninho de passarinhos.
Os filhotes piavam: — Piu! Piu! Piu!
A mamãe passarinho não sabia o que fazer.
Tito viu o ninho. Viu os filhotes. E sentiu um calor no peito, como coragem.
Ele voou até o rio mais rápido do que nunca.
“VRUUUM! VRUUUM!”
Encheu o bico com uma gota grande. A maior gota que ele conseguiu.
E voltou direto para o ninho.

“PLIIIIC!”
A gota caiu bem na borda do fogo que chegava perto do ninho.
Ela sozinha não apagou tudo.
Mas fez uma coisa importante.
Fez um espacinho molhado.
Um espacinho sem chama.
Um espacinho que deu tempo.
— Agora! — gritou Tito, com a voz fina e forte. — Agora todo mundo!
Dona Jurema abriu os olhos.
— Todo mundo? — ela perguntou.
Tito assentiu, ofegante: — Uma gota é pouca. Mas muitas gotas… são um monte!
Cacá, a capivara, deu um passo para frente: — Eu posso levar água na boca! — ela disse.
E lá foi Cacá, correndo para o rio.
“Plóft! Plóft!”
Ela encheu a boca com água e voltou.
“PFFFF!”
Ela cuspiu água no fogo.
Zeca, o macaco, coçou o queixo e gritou: — Eu posso pegar folhas grandes! — E saiu pulando: — Uuu-uu!
Ele pegou folhas enormes e começou a abanar o fogo para longe.
“FLOP! FLOP! FLOP!”
Téo, o tatu, apareceu com a carinha suja de terra: — Eu posso cavar um caminho! — ele disse.
E começou a cavar um buraco comprido, fazendo um corredor de terra.
“TOC-TOC-TOC!”
Um corredor sem folhas secas, sem gravetos.
Um corredor que ajudava o fogo a parar, porque não tinha o que queimar ali.
Dona Jurema, a onça, respirou fundo.
Ela era forte. Muito forte.
— Eu posso empurrar troncos para abrir espaço! — ela falou.
E com cuidado, ela empurrou troncos caídos para longe do fogo.
“RRRNNN… PUM!”
Outros animais também chegaram.
Um jabuti trouxe água numa folha dobrada.
Um tamanduá ajudou a puxar gravetos.
Até os passarinhos, em grupinho, foram buscar gotinhas.
“Plic! Plic! Plic!”
O fogo ouviu a floresta inteira trabalhando.
E o fogo começou a diminuir.
“Fuuush…”
“Fush…”
“F…”
A fumaça ficou mais fininha.
O vento soprou, mas agora havia chão molhado, terra cavada, espaço aberto.
As chamas ficaram pequenas. Pequenas.
E então… apagaram.
O silêncio veio devagar.
O rio continuou “shhh… shhh…”, como se estivesse cantando de novo.
Os animais olharam em volta. Tinha folhas queimadas e troncos pretinhos. Mas a floresta ainda estava ali.
Os filhotes no ninho estavam bem.
“Piu… piu…”
A mamãe passarinho suspirou.
Tito pousou numa pedra perto do rio. Ele estava cansado. Muito cansado.
As asas dele tremiam um pouquinho.
Zeca chegou perto e falou baixinho: — Tito… eu ri. Desculpa. Você foi valente.
Cacá encostou o focinho molhado no Tito: — Você começou tudo.
Téo saiu do buraco e disse: — Uma gota chama outra gota.
Dona Jurema olhou firme para Tito, com respeito: — Você ensinou uma coisa pra todos nós.
Tito piscou os olhinhos.
— Eu só fiz o que eu podia — ele falou.
Dona Jurema respondeu: — E quando cada um faz o que pode… a floresta fica mais forte.
Naquele dia, os animais combinaram uma coisa.
Quando vissem fumaça, iam avisar cedo.
Quando o tempo estivesse muito seco, iam cuidar mais da mata.
E sempre iam lembrar do beija-flor.
Do beija-flor pequenininho.
Que foi gota por gota.
“Plic, plic, plic.”
E que fez todo mundo dizer: — Eu também vou ajudar!
E Tito, feliz, voou sobre as flores que sobraram, sentindo o cheirinho bom voltando.
— A floresta é nossa casa — ele cantou. — Nossa casa! Nossa casa!
E as árvores pareciam balançar como um abraço.
“Shhh… shhh…”
E tudo ficou bem.
✨ Moral da História
“Mesmo pequeno, quando você faz a sua parte, você inspira todo mundo a ajudar também.”
Vamos Conversar?
Perguntas para conversar com a criança após a leitura:
- 1Qual animal você mais gostou na história: o beija-flor, o macaco, a capivara, o tatu ou a onça?
- 2Você já viu um beija-flor de verdade? Como ele voa?
- 3Se você tivesse uma gotinha de água, onde você colocaria para ajudar?
- 4Você consegue fazer o som do beija-flor voando: “vruuum, vruuum”?
- 5Quando você ajuda em casa, o que você gosta de fazer: guardar brinquedos, jogar lixo no lixo ou dar água para uma plantinha?
O que achou desta história?
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