Natureza

A Tartaruga Marinha e a Longa Viagem

27 de janeiro de 202615 min de leitura3 a 5 anos2 visualizações

Uma filhote de tartaruga enfrenta os perigos do oceano para completar sua primeira grande viagem.

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Na beira de uma praia bem bonita do Brasil, com areia morna e fininha, morava uma filhote de tartaruga marinha. Ela era pequena, pequenininha, do tamanho de um pão de queijo! O nome dela era **Teca**.

De dia, o mar fazia barulho de canção: **“xiiiii… shhh… xiiiii…”**. À noite, a lua brilhava e desenhava um caminho prateado na água.

Teca vivia escondidinha perto de um montinho de areia, junto com suas irmãs e seus irmãos. A mamãe tartaruga já tinha voltado para o mar grande, grande, grande, porque tartaruga marinha faz assim: põe os ovos na praia e depois volta.

Mas Teca não estava sozinha. Tinha uma amiga: a **Gaivota Zizi**, que era branca, de bico amarelo e bem falante.

— Teca, Teca! — gritava Zizi, voando em círculos. — Um dia você vai fazer uma viagem longa! Longa, longa!

Teca abria os olhinhos redondos e sussurrava:

— Eu? Mas eu sou pequena.

Zizi ria:

— Pequena, sim. Mas corajosa também! E o mar gosta de quem não desiste.

Naquela noite, a areia mexeu. **Fof-fof-fof!** Um por um, os filhotes começaram a sair. Teca sentiu o coração bater **tum-tum, tum-tum**.

— É agora — disse ela bem baixinho.

O vento soprou: **fuuuuuu…**. O cheiro do mar chegou: cheirinho de sal e aventura.

— Vamos, Teca! — chamou um irmão.

Teca olhou para o céu, onde a lua parecia um grande queijo brilhante. Ela respirou fundo e começou a correr… do jeito de tartaruga filhote: devagar, mas firme.

— Pléc… pléc… pléc… — faziam suas nadadeirinhas na areia.

Zizi voou baixinho e falou:

— Siga a luz da lua e o barulho do mar! **Shhh… shhh…**

Teca foi. A areia era macia, mas parecia enorme. Ela sentia medo. Um medo pequenininho, mas que fazia cócegas na barriga.

De repente, uma sombra passou por cima.

— Ai! — disse Teca.

Era um caranguejo grandão, vermelho, com olhos esbugalhados. Ele estava mais curioso do que bravo.

— Ei, filhotinha! Pra onde você vai com tanta pressa? — perguntou o caranguejo, mexendo as patinhas: **tic-tic-tic**.

— Eu vou pro mar — respondeu Teca.

— O mar é grande! — disse o caranguejo.

— Eu sei — falou Teca, tremendo um pouco. — Mas eu preciso ir.

O caranguejo pensou, pensou, e apontou com uma patinha.

— Então vá por ali, onde tem menos pedrinhas. Boa sorte, filhotinha.

— Obrigada! — disse Teca.

Ela continuou. **Pléc… pléc… pléc…**

Logo à frente, havia um pedaço de lixo na areia: um saquinho plástico que fazia barulho com o vento: **créc-créc-créc**.

Teca parou.

— Isso não é comida — avisou Zizi, pousando pertinho. — Isso é perigoso.

Teca olhou bem.

— Mas parece uma água-viva… — sussurrou.

Zizi falou firme:

— Não pode comer. Tem que desviar.

Teca deu uma voltinha, contornou o plástico, e seguiu.

— Muito bem! — comemorou Zizi. — Você foi esperta!

Finalmente, Teca chegou na beirinha onde a água beijava a areia. A espuma vinha e voltava: **shhh… shhh…**.

Quando a primeira onda tocou suas nadadeirinhas, Teca deu um pulinho.

— Ai! É friozinho! — ela disse.

— É o mar te dando “oi”! — falou Zizi.

Teca entrou. A água levantou o corpinho dela e… uau! Ela flutuou!

— Eu tô nadando! — gritou Teca.

— Glub-glub! — fez uma bolhinha saindo da boca dela.

Zizi voou por cima.

— Agora começa a sua longa viagem — disse a gaivota.

No começo, Teca nadava perto da praia. Ela via os peixinhos brilhantes, prateados, passando rapidinho: **viiiu!**

Um peixe amarelo, bem simpático, apareceu.

— Oi, tartaruguinha! Eu sou o **Peixe Pingo**! — ele disse, fazendo bolinhas: **blup-blup**.

— Eu sou a Teca — respondeu ela.

— Pra onde você vai? — perguntou Pingo.

— Eu vou viajar… bem longe — disse Teca, com olhos de espanto.

Pingo fez cara de admiração.

— Então você precisa aprender uma coisa importante: descansar! — ele falou.

— Descansar? — Teca piscou.

— Sim! Nada um pouco, descansa um pouco. Nada um pouco, descansa um pouco. Assim você vai longe, longe.

Teca repetiu, gostando do som:

— Nada um pouco… descansa um pouco.

— Isso! — disse Pingo. — Eu posso ir com você um pedaço.

E foram. O mar balançava como um berço. **Balança… balança…**

Mas nem tudo era calmo.

Um dia, as nuvens ficaram cinzas. O vento ficou mais forte.

— Fuuuuu! — assobiou o vento.

As ondas ficaram altas, muito altas.

— Shhh… PÁ! — a onda batia e espirrava.

Teca sentiu o corpo ser empurrado.

— Ai! — ela disse, assustada. — Eu vou girar!

Pingo nadou pertinho.

— Teca! Faz como eu! Nadadeira firme! — ele ensinou. — E quando a onda vier, você se abaixa e passa por baixo!

— Por baixo… — repetiu Teca.

Outra onda veio grande.

Teca respirou fundo. **Fuuuu…**

Ela abaixou a cabeça e mergulhou.

**Glub! Glub!**

A onda passou por cima.

Teca voltou pra cima, tossindo um pouquinho.

— Consegui! — ela falou.

— Conseguiu! — gritou Pingo. — Você é forte!

A tempestade passou. O céu abriu. O sol apareceu e fez o mar brilhar.

Teca estava cansada.

— Nada um pouco… descansa um pouco — ela lembrou.

Ela subiu em um pedacinho de alga grande, macia, que parecia uma caminha verde.

— Ahhh… — ela suspirou.

Zizi apareceu lá no alto.

— Teca! Você está indo muito bem! — ela gritou.

Teca sorriu.

Mas então… uma coisa estranha apareceu na água. Um círculo que brilhava e boiava. Era uma argola de plástico.

Pingo olhou e arregalou os olhos.

— Não chega perto! — ele gritou.

Mas a correnteza empurrou Teca. Devagar, devagar… e a argola veio na direção dela.

— Eu não quero! — disse Teca, tentando nadar.

A argola encostou na nadadeira dela. **Tic!**

E… prendeu.

Teca sentiu um puxão.

— Ai! Eu estou presa! — ela gritou, com a voz tremendo.

Pingo nadou rápido.

— Segura firme, Teca! Não entra em pânico! — ele disse.

Zizi desceu voando, batendo as asas forte.

— Teca! Olhe pra mim! Respira! Um… dois… — Zizi falou.

Teca respirou, chorando um pouquinho.

— Um… dois… — ela repetiu.

A argola puxava. A água mexia.

Pingo tentou morder a argola.

— Nhac! Nhac! — ele mordeu, mas era duro.

Zizi voou até uma boia velha que estava longe e viu uma conchona dura flutuando.

— Pingo! Use a concha! — gritou Zizi. — Ela corta!

Pingo pegou a concha com a boca. **Ploc!** Ele voltou depressa.

Teca tremia.

— Eu vou conseguir? — ela perguntou.

— Vai! — disse Pingo. — Você não está sozinha.

Pingo esfregou a concha na argola: **cric-cric-cric!**

Uma vez.

Duas vezes.

Três vezes.

A argola fez um barulho alto: **CRAC!**

Ilustração da história A Tartaruga Marinha e a Longa Viagem

A argola quebrou e soltou!

Teca deu uma cambalhota na água.

— Ufa! — ela suspirou, abrindo um sorriso enorme.

Zizi gritou lá de cima:

— Viva! Viva! Viva!

Pingo rodopiou:

— Você conseguiu, Teca!

Teca encostou a testa na água, como quem faz um agradecimento.

— Obrigada… — ela disse. — Eu fiquei com medo.

— Ter medo é normal — respondeu Zizi. — O importante é pedir ajuda e continuar.

Pingo completou:

— E lembrar: lixo no mar machuca os bichos. A gente precisa cuidar do oceano.

Teca olhou ao redor. O mar era a casa dela. Uma casa enorme.

— Eu vou crescer — falou Teca. — E um dia eu volto pra praia, como a mamãe.

Zizi bateu as asas.

— E quando você crescer, vai ser uma tartaruga grandona, forte, brilhante.

Teca riu:

— Grandona!

Nos dias seguintes, Teca seguiu viagem. Ela nadava um pouco. Descansava um pouco. Nadava um pouco. Descansava um pouco.

Ela viu um cavalo-marinho dançando: **triii-triii** (parecia uma dancinha). Viu um golfinho pulando: **póim! póim!**. Viu corais coloridos, como um jardim embaixo d’água.

Às vezes, vinha uma onda maior e ela lembrava:

— Por baixo.

Às vezes, ela via alguma coisinha estranha boiando e lembrava:

— Não é comida.

E assim, com cuidado e coragem, Teca foi completando sua primeira grande viagem.

Numa manhã bem bonita, o mar estava calmo. O sol parecia sorrir. Teca ficou boiando, olhando o céu.

— Eu consegui começar minha longa viagem — ela disse, orgulhosa.

Zizi passou voando.

— E vai continuar, Teca. Um passo de cada vez. Um nado de cada vez.

Pingo deu um tchau com a cauda.

— Até logo, viajante!

Teca balançou as nadadeiras.

— Até logo! — falou ela.

E lá foi a pequena Teca, no mar brasileiro, com coragem no peito e amizade por perto, aprendendo que a viagem fica mais fácil quando a gente cuida do mundo e aceita ajuda.

✨ Moral da História

Com coragem, cuidado e ajuda dos amigos, a gente consegue seguir em frente e proteger o lugar onde vive.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Você já viu o mar? Como ele fazia som: “shhh… shhh…”?
  • 2Qual amigo você mais gostou: a gaivota Zizi ou o peixe Pingo?
  • 3Você consegue fazer o barulho da onda bem forte: “PÁ!”?
  • 4Se você visse um lixo na praia, o que você faria?
  • 5Você já viu uma tartaruga? Ela era grande ou pequena?

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