A Tartaruga Marinha e a Longa Viagem
Uma filhote de tartaruga enfrenta os perigos do oceano para completar sua primeira grande viagem.
Na beira de uma praia bem bonita do Brasil, com areia morna e fininha, morava uma filhote de tartaruga marinha. Ela era pequena, pequenininha, do tamanho de um pão de queijo! O nome dela era **Teca**.
De dia, o mar fazia barulho de canção: **“xiiiii… shhh… xiiiii…”**. À noite, a lua brilhava e desenhava um caminho prateado na água.
Teca vivia escondidinha perto de um montinho de areia, junto com suas irmãs e seus irmãos. A mamãe tartaruga já tinha voltado para o mar grande, grande, grande, porque tartaruga marinha faz assim: põe os ovos na praia e depois volta.
Mas Teca não estava sozinha. Tinha uma amiga: a **Gaivota Zizi**, que era branca, de bico amarelo e bem falante.
— Teca, Teca! — gritava Zizi, voando em círculos. — Um dia você vai fazer uma viagem longa! Longa, longa!
Teca abria os olhinhos redondos e sussurrava:
— Eu? Mas eu sou pequena.
Zizi ria:
— Pequena, sim. Mas corajosa também! E o mar gosta de quem não desiste.
Naquela noite, a areia mexeu. **Fof-fof-fof!** Um por um, os filhotes começaram a sair. Teca sentiu o coração bater **tum-tum, tum-tum**.
— É agora — disse ela bem baixinho.
O vento soprou: **fuuuuuu…**. O cheiro do mar chegou: cheirinho de sal e aventura.
— Vamos, Teca! — chamou um irmão.
Teca olhou para o céu, onde a lua parecia um grande queijo brilhante. Ela respirou fundo e começou a correr… do jeito de tartaruga filhote: devagar, mas firme.
— Pléc… pléc… pléc… — faziam suas nadadeirinhas na areia.
Zizi voou baixinho e falou:
— Siga a luz da lua e o barulho do mar! **Shhh… shhh…**
Teca foi. A areia era macia, mas parecia enorme. Ela sentia medo. Um medo pequenininho, mas que fazia cócegas na barriga.
De repente, uma sombra passou por cima.
— Ai! — disse Teca.
Era um caranguejo grandão, vermelho, com olhos esbugalhados. Ele estava mais curioso do que bravo.
— Ei, filhotinha! Pra onde você vai com tanta pressa? — perguntou o caranguejo, mexendo as patinhas: **tic-tic-tic**.
— Eu vou pro mar — respondeu Teca.
— O mar é grande! — disse o caranguejo.
— Eu sei — falou Teca, tremendo um pouco. — Mas eu preciso ir.
O caranguejo pensou, pensou, e apontou com uma patinha.
— Então vá por ali, onde tem menos pedrinhas. Boa sorte, filhotinha.
— Obrigada! — disse Teca.
Ela continuou. **Pléc… pléc… pléc…**
Logo à frente, havia um pedaço de lixo na areia: um saquinho plástico que fazia barulho com o vento: **créc-créc-créc**.
Teca parou.
— Isso não é comida — avisou Zizi, pousando pertinho. — Isso é perigoso.
Teca olhou bem.
— Mas parece uma água-viva… — sussurrou.
Zizi falou firme:
— Não pode comer. Tem que desviar.
Teca deu uma voltinha, contornou o plástico, e seguiu.
— Muito bem! — comemorou Zizi. — Você foi esperta!
Finalmente, Teca chegou na beirinha onde a água beijava a areia. A espuma vinha e voltava: **shhh… shhh…**.
Quando a primeira onda tocou suas nadadeirinhas, Teca deu um pulinho.
— Ai! É friozinho! — ela disse.
— É o mar te dando “oi”! — falou Zizi.
Teca entrou. A água levantou o corpinho dela e… uau! Ela flutuou!
— Eu tô nadando! — gritou Teca.
— Glub-glub! — fez uma bolhinha saindo da boca dela.
Zizi voou por cima.
— Agora começa a sua longa viagem — disse a gaivota.
No começo, Teca nadava perto da praia. Ela via os peixinhos brilhantes, prateados, passando rapidinho: **viiiu!**
Um peixe amarelo, bem simpático, apareceu.
— Oi, tartaruguinha! Eu sou o **Peixe Pingo**! — ele disse, fazendo bolinhas: **blup-blup**.
— Eu sou a Teca — respondeu ela.
— Pra onde você vai? — perguntou Pingo.
— Eu vou viajar… bem longe — disse Teca, com olhos de espanto.
Pingo fez cara de admiração.
— Então você precisa aprender uma coisa importante: descansar! — ele falou.
— Descansar? — Teca piscou.
— Sim! Nada um pouco, descansa um pouco. Nada um pouco, descansa um pouco. Assim você vai longe, longe.
Teca repetiu, gostando do som:
— Nada um pouco… descansa um pouco.
— Isso! — disse Pingo. — Eu posso ir com você um pedaço.
E foram. O mar balançava como um berço. **Balança… balança…**
Mas nem tudo era calmo.
Um dia, as nuvens ficaram cinzas. O vento ficou mais forte.
— Fuuuuu! — assobiou o vento.
As ondas ficaram altas, muito altas.
— Shhh… PÁ! — a onda batia e espirrava.
Teca sentiu o corpo ser empurrado.
— Ai! — ela disse, assustada. — Eu vou girar!
Pingo nadou pertinho.
— Teca! Faz como eu! Nadadeira firme! — ele ensinou. — E quando a onda vier, você se abaixa e passa por baixo!
— Por baixo… — repetiu Teca.
Outra onda veio grande.
Teca respirou fundo. **Fuuuu…**
Ela abaixou a cabeça e mergulhou.
**Glub! Glub!**
A onda passou por cima.
Teca voltou pra cima, tossindo um pouquinho.
— Consegui! — ela falou.
— Conseguiu! — gritou Pingo. — Você é forte!
A tempestade passou. O céu abriu. O sol apareceu e fez o mar brilhar.
Teca estava cansada.
— Nada um pouco… descansa um pouco — ela lembrou.
Ela subiu em um pedacinho de alga grande, macia, que parecia uma caminha verde.
— Ahhh… — ela suspirou.
Zizi apareceu lá no alto.
— Teca! Você está indo muito bem! — ela gritou.
Teca sorriu.
Mas então… uma coisa estranha apareceu na água. Um círculo que brilhava e boiava. Era uma argola de plástico.
Pingo olhou e arregalou os olhos.
— Não chega perto! — ele gritou.
Mas a correnteza empurrou Teca. Devagar, devagar… e a argola veio na direção dela.
— Eu não quero! — disse Teca, tentando nadar.
A argola encostou na nadadeira dela. **Tic!**
E… prendeu.
Teca sentiu um puxão.
— Ai! Eu estou presa! — ela gritou, com a voz tremendo.
Pingo nadou rápido.
— Segura firme, Teca! Não entra em pânico! — ele disse.
Zizi desceu voando, batendo as asas forte.
— Teca! Olhe pra mim! Respira! Um… dois… — Zizi falou.
Teca respirou, chorando um pouquinho.
— Um… dois… — ela repetiu.
A argola puxava. A água mexia.
Pingo tentou morder a argola.
— Nhac! Nhac! — ele mordeu, mas era duro.
Zizi voou até uma boia velha que estava longe e viu uma conchona dura flutuando.
— Pingo! Use a concha! — gritou Zizi. — Ela corta!
Pingo pegou a concha com a boca. **Ploc!** Ele voltou depressa.
Teca tremia.
— Eu vou conseguir? — ela perguntou.
— Vai! — disse Pingo. — Você não está sozinha.
Pingo esfregou a concha na argola: **cric-cric-cric!**
Uma vez.
Duas vezes.
Três vezes.
A argola fez um barulho alto: **CRAC!**

A argola quebrou e soltou!
Teca deu uma cambalhota na água.
— Ufa! — ela suspirou, abrindo um sorriso enorme.
Zizi gritou lá de cima:
— Viva! Viva! Viva!
Pingo rodopiou:
— Você conseguiu, Teca!
Teca encostou a testa na água, como quem faz um agradecimento.
— Obrigada… — ela disse. — Eu fiquei com medo.
— Ter medo é normal — respondeu Zizi. — O importante é pedir ajuda e continuar.
Pingo completou:
— E lembrar: lixo no mar machuca os bichos. A gente precisa cuidar do oceano.
Teca olhou ao redor. O mar era a casa dela. Uma casa enorme.
— Eu vou crescer — falou Teca. — E um dia eu volto pra praia, como a mamãe.
Zizi bateu as asas.
— E quando você crescer, vai ser uma tartaruga grandona, forte, brilhante.
Teca riu:
— Grandona!
Nos dias seguintes, Teca seguiu viagem. Ela nadava um pouco. Descansava um pouco. Nadava um pouco. Descansava um pouco.
Ela viu um cavalo-marinho dançando: **triii-triii** (parecia uma dancinha). Viu um golfinho pulando: **póim! póim!**. Viu corais coloridos, como um jardim embaixo d’água.
Às vezes, vinha uma onda maior e ela lembrava:
— Por baixo.
Às vezes, ela via alguma coisinha estranha boiando e lembrava:
— Não é comida.
E assim, com cuidado e coragem, Teca foi completando sua primeira grande viagem.
Numa manhã bem bonita, o mar estava calmo. O sol parecia sorrir. Teca ficou boiando, olhando o céu.
— Eu consegui começar minha longa viagem — ela disse, orgulhosa.
Zizi passou voando.
— E vai continuar, Teca. Um passo de cada vez. Um nado de cada vez.
Pingo deu um tchau com a cauda.
— Até logo, viajante!
Teca balançou as nadadeiras.
— Até logo! — falou ela.
E lá foi a pequena Teca, no mar brasileiro, com coragem no peito e amizade por perto, aprendendo que a viagem fica mais fácil quando a gente cuida do mundo e aceita ajuda.
✨ Moral da História
“Com coragem, cuidado e ajuda dos amigos, a gente consegue seguir em frente e proteger o lugar onde vive.”
Vamos Conversar?
Perguntas para conversar com a criança após a leitura:
- 1Você já viu o mar? Como ele fazia som: “shhh… shhh…”?
- 2Qual amigo você mais gostou: a gaivota Zizi ou o peixe Pingo?
- 3Você consegue fazer o barulho da onda bem forte: “PÁ!”?
- 4Se você visse um lixo na praia, o que você faria?
- 5Você já viu uma tartaruga? Ela era grande ou pequena?
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