Sonhos

Lila, a Tampinha Azul, e o Sonho de Girar

24 de fevereiro de 20266 min de leitura3 a 5 anos6 visualizações
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Lila, a Tampinha Azul, e o Sonho de Girar

Lila era uma tampinha azul. Bem pequenininha. Ela morava dentro de um cesto de reciclagem, junto com coisas que faziam barulhos.

Tinha lata que fazia “toc toc”. Tinha papel que fazia “fshh fshh”. Tinha garrafa que fazia “clim clim”.

Lila ouvia tudo. E ela tinha um sonho. Um sonho bem redondinho.

— Eu quero girar — dizia Lila, baixinho. — Girar, girar, girar!

Mas as outras coisas riam.

— Tampinha não gira! — falou uma lata amassada. — Tampinha só fecha garrafa! — falou uma garrafa de plástico.

Lila ficou triste. Mas o sonho dela não foi embora. O sonho ficou ali. Bem no meio do coraçãozinho de tampinha.

De dia, entrava um pedacinho de sol por uma frestinha do cesto. O sol fazia a Lila brilhar. E Lila pensava:

— Eu vou girar. Eu vou girar. Eu vou girar.

Ilustração da história Lila, a Tampinha Azul, e o Sonho de Girar

Um dia, o cesto balançou. Vento forte. O cesto fez “tum”. As coisas rolaram. Lila rolou também.

Ela rolou, rolou, rolou… E quase caiu na rua. Quase, quase.

— Segura! — gritou um rolinho de papelão. Ele era comprido. Ele se esticou o quanto pôde. Ele empurrou a Lila de volta.

Lila parou bem na beiradinha. Ela respirou. Ela ficou quietinha.

— Obrigada — disse Lila. — Eu não quero cair. Eu quero girar.

O rolinho de papelão sorriu.

— Sonho bom é sonho com cuidado — falou ele. — E sonho bom também gosta de ajuda.

Lila guardou isso. Cuidado. Ajuda.

No dia seguinte, um caminhão levou o cesto para um galpão grande. Era o lugar da reciclagem. Tinha cheiro de sabão. Tinha água. Tinha gente trabalhando.

Lila viu mesas. Viu tintas. Viu tesouras sem ponta. Viu cola. Viu fios.

E viu uma menina. A menina se chamava Duda. Duda veio com a Tia Célia. A Tia Célia fazia brinquedos com coisas que iam para a reciclagem.

— Hoje a gente vai fazer brinquedos que giram — disse a Tia Célia. — Brinquedos que dançam na mesa.

“Brinquedos que giram.” O coraçãozinho de Lila fez “plim”.

Duda pegou a Lila com cuidado.

— Essa tampinha é bem azul — disse Duda. — Parece o céu.

Lila quis falar: “Eu quero girar!” E, de tão feliz, ela fez um barulhinho:

— Plim!

Duda arregalou os olhos.

— Tia Célia… eu acho que ela gostou de mim.

Tia Célia riu.

— Então vamos cuidar bem dela.

Primeiro, lavaram a Lila. “Shhh… shhh… shhh…” Depois, secaram a Lila. “Tap… tap… tap…”

— Limpa e seca — repetiu a Tia Célia. — Limpa e seca.

Depois, Tia Célia fez um furinho no meio da tampinha. Com uma ferramenta segura. Duda só olhou.

— Agora vem o palitinho — disse a Tia Célia. Ela colocou um palito firme. O palito ficou bem no meio.

Duda pintou bolinhas coloridas na Lila. Uma bolinha. Duas bolinhas. Três bolinhas.

— Bolinha ajuda a ver o giro — falou Duda. — Giro, giro, giro.

Lila estava diferente. Ela ainda era Lila. Ainda era tampinha. Mas agora parecia um pião.

— Pronta? — perguntou Duda.

Lila queria gritar “SIM!”, mas só conseguiu:

— Plim!

Ilustração da história Lila, a Tampinha Azul, e o Sonho de Girar

Duda colocou a Lila em cima da mesa. Segurou o palito. E deu um empurrãozinho.

Lila girou um pouquinho. “Vrum…” E caiu.

Duda tentou de novo. Lila girou um pouquinho mais. “Vruuum…” E caiu de novo.

Lila ficou com vergonha. Mas Tia Célia falou baixinho:

— Calma. Calma. — Sonho aprende. — Sonho treina.

Duda sorriu.

— Vamos treinar, Lila. — Girar, girar, girar.

Duda tentou. Tentou. Tentou. Com mãos leves. Sem pressa.

E Lila começou a entender. Empurrãozinho certo. Força certa. Lugar certo.

Então… Lila girou. Girou bonito. Girou redondinho. Girou feliz.

“VRUUUM! VRUUUM! VRUUUM!”

Duda bateu palmas.

— Você conseguiu!

Lila girou mais um pouco. E, quando parou, parecia até que ela estava sorrindo mais.

No sábado, Duda levou a Lila para o parquinho. Tinha sol. Tinha sombra. Tinha risada.

Duda colocou a Lila no chão lisinho.

— Olha, gente! — disse Duda para outras crianças. — Esse pião era uma tampinha. — Agora ele gira!

As crianças fizeram uma rodinha. Rodinha, rodinha, rodinha.

Duda deu o empurrãozinho. E Lila girou. Girou. Girou.

As bolinhas pintadas viraram um desenho dançando. O palito parecia uma antena de alegria.

Ilustração da história Lila, a Tampinha Azul, e o Sonho de Girar

— Eu também quero fazer um! — disse uma criança. — Eu também! — disse outra.

Tia Célia, que tinha ido junto, falou:

— Todo mundo pode sonhar. — E todo mundo pode cuidar.

Lila ouviu. E lembrou do rolinho de papelão. “Sonho bom gosta de cuidado. Sonho bom gosta de ajuda.”

Naquele dia, Lila entendeu uma coisa bem importante: Ela era pequena. Mas o sonho dela era grande.

E sonho grande não precisa ser corrido. Sonho grande pode ser treinado. Pode ser cuidado. Pode ser feito junto.

Duda guardou a Lila numa caixinha para não perder. E, antes de dormir, Duda cochichou:

— Amanhã a gente gira de novo. — Girar, girar, girar.

E Lila, a tampinha azul, dormiu feliz. Porque o sonho dela não ficou só na cabeça. O sonho dela começou a acontecer. Devagar. Com cuidado. Com ajuda. E com muita vontade de girar.

✨ Moral da História

Sonhos giram melhor quando a gente cuida, treina um pouquinho e aceita ajuda.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Qual era o sonho da Lila? Você lembra como ela falava isso?
  • 2Quem ajudou a Lila quando ela quase caiu, e quem ajudou depois no galpão?
  • 3O que a Duda fez para a Lila conseguir girar melhor: correu ou treinou com calma?
  • 4Você tem algum sonho que precisa de treino e cuidado? Como a gente pode começar?

O que achou desta história?

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Raposinha

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