Estrela e Lua: As Irmãs Diferentes
Duas irmãs gêmeas completamente opostas descobrem que se complementam perfeitamente.

Na cidadezinha de Paraty, bem pertinho do mar, havia uma casa colorida com varanda e rede. A rede fazia “nhec, nhec” quando o vento passava. Naquela casa moravam duas irmãs gêmeas.
Uma se chamava Estrela. A outra se chamava Lua.
Elas eram gêmeas. Nasceram no mesmo dia. Mas eram muito, muito diferentes.
Estrela era elétrica. Ela corria pela casa como um foguete. “Vruuum!” Ela pulava, batia palmas, ria alto. Quando via uma poça, ela dizia: — Eu vou pular! E pulava: “PLOC! PLOC!”
Lua era calma. Ela andava devagarinho. Ela gostava de observar. Gostava de cheirar flor. “Hummm…” Gostava de sentar na varanda e ouvir o mar: “Shhh… shhh…”
A mamãe, dona Marina, dizia com carinho: — Estrela é dia de festa. Lua é noite de abraço.
O papai, seu Antônio, completava: — Uma brilha de um jeito. A outra brilha de outro.
Só que, naquele dia, as duas acordaram com um convite especial.
Dona Cida, a vizinha, ia fazer uma festinha na praça. Era a Festa do Boi-Bumbá da escola. Tinha bandeirinhas, pipoca, bolo de fubá e música.
— Vocês podem me ajudar a levar as fitas coloridas? — perguntou dona Cida, sorrindo.
Estrela bateu palmas: — Eu posso! Eu posso! Eu posso!
Lua sorriu baixinho: — Eu também posso… com cuidado.
Dona Cida entregou uma caixa com fitas: vermelhas, azuis, amarelas e verdes. E disse: — Cuidado, meninas. Essas fitas são para enfeitar o boizinho. São importantes.
Estrela segurou a caixa com força. — Deixa comigo! Eu sou rápida!
Lua colocou a mão por cima, bem suave. — Vamos juntas. Devagar também chega.
E lá foram as duas pela rua de pedra de Paraty. As casas tinham portas coloridas. Havia cheiro de pão saindo da padaria. E um cachorro na esquina abanava o rabo: “Au, au!”
No começo, Estrela foi na frente. — Vem, Lua! Corre!
Lua respondeu: — Eu prefiro ir olhando o caminho.
Estrela bufou. — Você é lenta.
Lua ficou triste. Ela apertou a boca, como quem segura o choro. — E você é apressada.
Estrela fez cara feia. — Apressada é melhor!
Lua balançou a cabeça. — Calma é melhor.
E assim elas foram caminhando… uma puxando para um lado, outra para o outro.
Quando chegaram perto do riozinho que cortava a cidade, tinha uma pontinha de madeira. Era estreita. Embaixo, a água fazia “glu-glu”.
Estrela falou alto: — Eu vou passar correndo! “Vruuum!”
Lua segurou a caixa. — Não corre, Estrela. A ponte é fininha.
Estrela respondeu: — Eu sei! Eu consigo!
Ela colocou um pé na ponte e foi: “TUM-TUM-TUM!”
Lua foi atrás, com cuidado: “toc… toc… toc…”
De repente, Estrela escorregou numa tábua úmida. — OPA!
A caixa balançou.
As fitas quase voaram.
Lua arregalou os olhos. — Segura!
Estrela tentou segurar, mas o pé escorregou de novo. — Ai!
A caixa fez “PLIM!” e caiu no chão da ponte. A tampa abriu: “PÁ!”
E as fitas… as fitas começaram a escapar como cobrinhas coloridas.
Uma fita vermelha saiu primeiro. “Fiuuu!” Depois uma azul. “Fiuuu!” Depois várias, várias, várias!
Estrela gritou: — Minhas fitas!
Lua falou rápido, mas com voz firme: — Estrela, fica parada! Eu vou pegar!
Estrela ficou congelada, com medo. O coração dela batia: “tum-tum, tum-tum”.
Lua se ajoelhou devagar na ponte. — Eu vou bem baixinho… bem baixinho…
Ela esticou a mão.
A fita vermelha estava quase caindo na água.
O vento soprou forte: “Fuuuu!”
As fitas dançaram no ar, rodopiando.
Estrela sussurrou: — Lua… eu estou com medo.
Lua respondeu: — Eu estou aqui. Respira comigo.
E as duas respiraram. — Hummm… — Hummm…
Lua pegou a fita vermelha. Depois a azul. Depois a amarela.
Mas a verde… a verde escapou!
Ela escorregou pela madeira e foi para fora da ponte.
Estrela abriu a boca: — NÃÃÃO!

A fita verde caiu bem na beiradinha, quase, quase na água do rio.
Lua esticou o braço, mas não alcançava. — Eu não consigo…
Estrela olhou. A fita estava perto demais da água.
Ela engoliu seco. Ela era rápida. Ela era corajosa. Mas agora ela precisava ser… cuidadosa.
Estrela falou baixinho: — Eu vou ajudar, Lua. Só que… do seu jeito.
Lua olhou para a irmã. — Do meu jeito?
Estrela assentiu. — Devagar. Com cuidado. Você me mostra.
Lua sorriu. — Tá bom. Primeiro: um pé firme.
Estrela colocou o pé, bem firme. — Assim?
— Assim. Agora: mão na madeira.
Estrela colocou a mão. — Assim?
— Assim. Agora: sem pressa.
Estrela fez uma cara concentrada, bem engraçada, com a língua de fora. — Hãã…
Ela foi se abaixando. Bem devagarinho: “toc… toc…”
Lua segurou a cintura da irmã. — Eu te seguro.
Estrela esticou o braço, com os dedos bem compridos.
Quase.
Quase.
Ela conseguiu tocar na ponta da fita verde.
— Peguei! — sussurrou Estrela.
E puxou a fita de volta. “Fiiii!”
As duas suspiraram juntas. — Ufa!
Estrela riu baixinho. — Eu consegui… devagar.
Lua riu também. — Eu consegui… com a sua coragem.
Elas juntaram todas as fitas e fecharam a caixa. Desta vez, Lua carregou do lado esquerdo e Estrela do lado direito.
— Juntas! — disse Estrela.
— Juntas! — repetiu Lua.
E seguiram para a praça.
Chegando lá, a festa estava linda. Tinha bandeirinhas balançando: “flap-flap”. Tinha cheiro de pipoca. “Poc-poc-poc!”
Dona Cida veio correndo. — Meninas! As fitas! Obrigada!
Estrela falou, com os olhos brilhando: — Quase caiu tudo no rio.
Lua completou: — Mas nós pegamos juntas.
Dona Cida se abaixou e fez um carinho nas duas. — Vocês são uma dupla e tanto.
Na hora de enfeitar o boi-bumbá da escola, Estrela queria amarrar tudo rápido. — Eu faço! Eu faço!
Lua levantou a mão. — Podemos fazer juntas?
Estrela parou. Pensou. E disse: — Sim. Eu faço os nós apertados. Você escolhe onde fica bonito.
Lua sorriu. — Combinado.
E assim foi.
Estrela amarrava: “puxa, puxa, nó!” Lua olhava e dizia: — Aqui. Ali. Um pouquinho mais pra cima.
O boizinho ficou colorido, alegre, perfeito.
Quando a música começou, o povo bateu palma. — Tum-tá! Tum-tá!
Estrela dançou pulando. — Iiiihá!
Lua dançou balançando devagar. — Lalá…
E, de mãos dadas, as duas giraram.
Estrela falou no ouvido da irmã: — Você não é lenta. Você é cuidadosa.
Lua respondeu: — E você não é apressada. Você é corajosa.
A mamãe e o papai chegaram na praça e viram as duas sorrindo.
Dona Marina disse: — Olha lá. A Estrela e a Lua.
Seu Antônio completou: — Diferentes… e perfeitas juntas.
Na volta para casa, o céu estava ficando cor de laranja. O mar fazia “shhh… shhh…” e a rede da varanda esperava.
Estrela deitou na rede com a irmã. — Lua… amanhã a gente pode ajudar de novo?
Lua fechou os olhos. — Pode. Mas… juntas.
Estrela apertou a mão dela. — Juntas.
E naquela noite, como numa mágica, parecia que tinha uma estrela e uma lua brilhando dentro do coração das duas.
Fim.
✨ Moral da História
“Quando a gente respeita as diferenças, descobre que juntos ficamos mais fortes e felizes.”
Vamos Conversar?
Perguntas para conversar com a criança após a leitura:
- 1Você já viu uma ponte de madeira? Como ela era?
- 2Qual fita você mais gostou: vermelha, azul, amarela ou verde?
- 3Você gosta mais de correr como a Estrela ou de andar devagar como a Lua?
- 4Se você deixasse cair uma coisa no chão, quem você chamaria para ajudar?
- 5Você já ajudou alguém em uma tarefa? O que você ajudou a fazer?
O que achou desta história?
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