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A Princesa que Acordou Sozinha

27 de janeiro de 202610 min de leitura6 a 8 anos29 visualizações

Uma princesa adormecida descobre que não precisa esperar ninguém — quando a coragem desperta dentro de nós, nenhum feitiço resiste. Uma versão moderna da Bela Adormecida.

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Houve um tempo em que, nas terras altas de um reino tropical, nasceu uma princesa chamada Aurora. Sua mãe, a rainha Mariana, era conhecida por ser a mulher mais sábia do reino. Seu pai, o rei Tomás, era conhecido por ser o mais bondoso.

No dia do batizado de Aurora, todo o reino foi convidado. A festa aconteceu no salão mais bonito do palácio — com teto pintado de estrelas, janelas que olhavam para o mar e mesas cheias de frutas, bolos e flores.

Sete fadas foram convidadas, e cada uma deu um presente à princesa:

A primeira deu inteligência. A segunda, bondade. A terceira, coragem. A quarta, criatividade. A quinta, senso de humor. A sexta, uma voz que encantava qualquer um.

Mas antes que a sétima fada pudesse dar seu presente, a porta do salão se abriu com um estrondo.

Era Espina, uma feiticeira que não fora convidada. Seus olhos eram verdes como veneno, seus cabelos negros flutuavam como cobras, e sua capa arrastava espinhos pelo chão.

— Não me convidaram? — sibilou, olhando para a bebê no berço. — Pois meu presente será especial. No dia em que completar doze anos, esta menina espetará o dedo numa agulha encantada e cairá num sono profundo. E só acordará quando alguém corajoso vier salvá-la!

E desapareceu numa nuvem de fumaça negra.

O salão ficou em silêncio aterrorizado. A sétima fada, que ainda não dera seu presente, se aproximou do berço.

— Não posso desfazer o feitiço — disse tristemente —, mas posso mudá-lo. Aurora não precisará de ninguém para despertar. Quando chegar a hora, a coragem que já vive dentro dela será suficiente.

Os anos passaram. Aurora cresceu forte, esperta e corajosa. Subia em árvores, estudava nos livros, aprendia a lutar com espada de madeira, fazia perguntas que deixavam os sábios sem resposta. Sua mãe lhe ensinou a pensar. Seu pai lhe ensinou a amar. E Aurora aprendeu sozinha a nunca ter medo de ser quem era.

No dia do seu décimo segundo aniversário, Aurora explorava a torre mais alta do palácio. Nunca tinha subido lá — a porta sempre estivera trancada. Mas naquele dia, misteriosamente, estava aberta.

No topo da escadaria, num quarto empoeirado, havia uma roda de fiar. E sentada diante dela, com um sorriso venenoso, estava Espina.

— Feliz aniversário, princesa. Venha ver como funciona.

Aurora sentiu o perigo. Deu um passo para trás. Mas uma força invisível puxava seus dedos em direção à agulha brilhante.

— Não... — sussurrou Aurora, lutando contra a magia.

Mas a agulha era mais forte. Um toque, uma picada, uma gota de sangue. E Aurora caiu.

O palácio inteiro adormeceu junto com ela. Os guardas caíram com as espadas na mão. Os cozinheiros adormeceram mexendo as panelas. Os cavalos dormiram nos estábulos. Até as moscas pararam no ar.

E do chão ao redor do palácio, brotaram roseiras enormes cobertas de espinhos tão afiados quanto espadas. Em poucos dias, o palácio desapareceu atrás de uma muralha de espinhos tão densa que nem a luz do sol passava.

Anos se passaram. Cinco. Dez. Vinte. Príncipes vieram de terras distantes tentando atravessar os espinhos. Nenhum conseguiu. As roseiras pareciam ter vida própria — cresciam, agarravam, empurravam. Os príncipes desistiam, feridos e derrotados.

Mas dentro do palácio, num quarto no alto da torre, algo estava acontecendo.

Aurora sonhava.

No início, seus sonhos eram escuros — um vazio sem fim, silêncio, solidão. Mas aos poucos, os presentes das fadas começaram a brilhar dentro dela.

A inteligência a fez entender que estava presa num feitiço. A criatividade a fez imaginar uma saída. O senso de humor a fez rir do medo. A bondade a fez pensar em todos que dormiam por causa dela. A voz encantadora cantou uma melodia que ecoou pelo sonho como um farol.

E a coragem — o presente mais importante — acendeu como uma chama no centro do seu peito.

Ilustração da história A Princesa que Acordou Sozinha

Aurora abriu os olhos.

O quarto estava escuro, coberto de poeira. Mas ela estava acordada. Sentou-se, olhou para as próprias mãos e viu que brilhavam com uma luz dourada que pulsava como batimento cardíaco.

— Eu me acordei — sussurrou, incrédula. — Eu me salvei.

Levantou-se com as pernas trêmulas de quem dormiu por vinte anos. Desceu as escadas da torre. Passou pelos guardas adormecidos, pela cozinha silenciosa, pelo salão do trono onde seus pais dormiam nos tronos.

Chegou à porta do palácio e viu a muralha de espinhos. Eram enormes, cruéis, impenetráveis.

Mas Aurora não recuou. Estendeu as mãos brilhantes e tocou os espinhos. Onde seus dedos encostavam, os espinhos se transformavam em flores. Rosas vermelhas, brancas, amarelas — desabrochavam em cadeia, uma após outra, abrindo um caminho de flores onde antes havia apenas dor.

A luz se espalhou pelo palácio. Os guardas acordaram. Os cozinheiros bocejaram. Os cavalos relincharam. A rainha Mariana abriu os olhos e sorriu. O rei Tomás se espreguiçou e riu.

E Espina? Quando a última roseira de espinhos se transformou em flor, a feiticeira sentiu seu poder se desfazer como fumaça. Encolheu, encolheu, até virar uma pequena aranha que correu para se esconder num canto escuro — onde nunca mais fez mal a ninguém.

O reino inteiro acordou naquele dia, e a primeira coisa que viram foi Aurora, de pé na porta do palácio, com as mãos ainda brilhando e um sorriso no rosto.

— Filha! — gritou a rainha, correndo para abraçá-la. — Quem te salvou?

Aurora olhou para as próprias mãos. Olhou para o caminho de flores que ela mesma havia aberto. E respondeu com orgulho:

— Eu me salvei, mãe. A coragem já estava dentro de mim o tempo todo.

✨ Moral da História

Não precisamos esperar que alguém venha nos salvar — a coragem que mora dentro de nós é o despertar mais poderoso que existe.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Você acha que Aurora fez certo em se salvar sozinha?
  • 2O que significa ser corajoso de verdade?
  • 3Se você tivesse um poder mágico, qual seria?
  • 4Por que é importante não esperar os outros resolverem nossos problemas?

O que achou desta história?

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Raposinha

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