Fantasia

A Nuvem que Queria Ser Montanha

27 de janeiro de 202614 min de leitura3 a 5 anos8 visualizações

Uma nuvem sonhadora aprende que ser leve e mudar de forma é seu verdadeiro superpoder.

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Lá no alto do céu do Brasil, bem em cima de um vale verdinho, morava uma nuvem fofinha chamada Nona.

Nona era branca, grandona e bem macia, como algodão-doce. Ela morava perto de um morro cheio de árvores, onde os passarinhos cantavam “piu-piu, piu-piu” e o vento fazia “fuuuush”. Lá embaixo, tinha um rio brilhante que fazia “plim-plim” quando batia nas pedrinhas.

Nona gostava de brincar de mudar de forma.

Às vezes ela virava um coelho. — Olha, eu sou um coelho! — ela ria. Às vezes ela virava um barco. — Eu sou um barco! — ela fazia, balançando devagar. Às vezes ela virava um coração. — Eu sou um coração bem grande! — e ficava toda orgulhosa.

Mas… todo dia, quando o sol começava a se esconder, Nona olhava para longe e via uma montanha enorme. Era uma montanha do Brasil, grandona, forte, parada. Tinha uma ponta alta e elegante e ficava ali, firme, como se nunca tivesse medo.

A montanha se chamava Montanha Pedra-Quietinha.

Nona suspirava. — Ai… eu queria ser montanha — dizia baixinho.

O vento, que passava fazendo “fuuuu”, escutou. — Por que você quer ser montanha, Nona?

Nona fez uma carinha triste. — Porque montanha é forte. Montanha é grande. Montanha não muda toda hora. Ela fica parada e todo mundo olha pra ela.

O vento rodopiou. — Mas você é nuvem! Você é leve. Você dança!

Nona cruzou os pedacinhos de si mesma, como se tivesse braços. — Eu não quero dançar. Eu quero ser firme.

Na manhã seguinte, Nona decidiu tentar. — Hoje eu vou treinar para ser montanha! — falou, animada.

Ela se puxou, se apertou, fez força. — Hnnn… hnnn… — ela resmungou.

Tentou ficar pontuda. Tentou ficar dura. Tentou ficar parada.

Mas o vento vinha e fazia “fuuush” e Nona balançava.

— Para, vento! — Nona pediu. — Eu só estou passando — respondeu o vento. — Eu moro aqui também.

Nona tentou de novo. — Vou ficar no mesmo lugar o dia inteiro! — prometeu.

Só que o sol esquentou, quentinho-quente, e Nona sentiu cócegas. — Ai! Está fazendo calor! — ela disse.

E, sem querer, ela ficou mais fininha. Mais espalhada.

— Não! Eu não quero espalhar! Eu quero ser montanha! — ela reclamou.

Lá embaixo, perto do rio “plim-plim”, havia um passarinho bem pequeno, o Tiêzinho Vermelho. Ele tinha peito vermelho vivo, e os olhinhos brilhavam.

Tiêzinho olhou para o céu. — Bom dia, Nona! — Bom dia — respondeu Nona, meio desanimada.

Tiêzinho fez “piu-piu!” — Você está esquisita hoje. Parece que está brava.

Nona suspirou. — Eu não estou brava. Eu estou… tentando ser montanha.

Tiêzinho inclinou a cabeça. — Mas por quê? — Porque montanha é importante — falou Nona.

Tiêzinho riu, um riso pequenininho. — Nuvem também é importante! Sem nuvem, não tem sombra. Sem nuvem, não tem chuva. E sem chuva… a floresta fica com sede.

Nona piscou. — Eu faço chuva? — Faz! — disse Tiêzinho. — E chuva é “tchibum, tchibum”! É música para as folhas.

Nona pensou. Mas logo olhou de novo para a montanha. — Mesmo assim… eu queria ser igual a ela.

No fim da tarde, Nona tomou coragem e falou alto para a Montanha Pedra-Quietinha. — Ei, Montanha! Eu queria ser você!

A montanha, que não falava muito, respondeu com voz grave e calma, como pedra: — Por que, nuvem?

Nona ficou animada. A montanha respondeu! — Porque você é forte e não muda nunca.

A montanha ficou em silêncio por um instante. Lá embaixo, um grilo fez “cri-cri”.

— Eu não posso voar — disse a montanha. — Eu não posso mudar de forma. Eu não posso visitar o mar. Eu só fico aqui.

Nona arregalou os olhos. — Você queria voar? — Às vezes — respondeu a montanha. — Às vezes eu queria ver outras coisas.

Nona ficou quieta. Ela nunca tinha pensado nisso.

Naquela noite, o céu escureceu. O vento voltou mais forte: “FUUUUU!”

E, de repente, chegou uma nuvem escura, pesada e apressada. Ela se chamava Tempestina.

Tempestina veio correndo pelo céu. — Sai da frente! Sai da frente! — ela disse, com voz tremida.

Nona assustou. — O que foi?

Tempestina apontou para longe. — Estou cheia de água! Muita água! E eu não sei onde soltar! Eu estou com medo de fazer um estrago lá embaixo!

Nona ficou geladinha. — Um estrago?

Tempestina balançou, tremendo. — Se eu chover muito em um lugar só, pode alagar! “Glub-glub”! — ela disse, lembrando do rio subindo.

O vento rodopiou. — Tem gente na vila perto do rio — avisou o vento. — Tem casas e um campinho.

Nona olhou para baixo. Lá embaixo, dava para ver umas luzinhas na vila. E dava para ver o rio brilhando.

Nona engoliu em seco. — Tempestina, você precisa se espalhar! Você precisa dividir essa água.

Tempestina choramingou. — Eu não consigo… eu estou pesada!

Nona olhou para a Montanha Pedra-Quietinha, tão firme e tão parada. E pensou: “Eu queria ser montanha… mas agora… alguém precisa ser nuvem.”

Nona respirou fundo. — Eu vou ajudar.

O vento perguntou: — Como?

Nona falou com coragem, mesmo tremendo: — Eu vou chamar a Tempestina para dançar comigo. Eu vou guiar ela para longe das casas. Para cima da mata, onde a terra bebe água devagar.

Tempestina arregalou os olhos. — Dançar?

— Dançar! — disse Nona. — Nuvem dança com o vento. Vem comigo. “Fuuuush, fuuuush.”

O vento soprou com cuidado. — Eu posso ajudar a empurrar. Mas vocês precisam ser leves.

Nona se aproximou de Tempestina. — Faz assim: abre seu corpo no céu. Espalha. Eu espalho junto. A gente vira uma nuvem grandona, bem comprida.

Tempestina fez força. — Hnnn… hnnn…

Nona fez junto. — Hnnn… hnnn…

Elas se esticaram, se abriram, ficaram maiores e mais fininhas.

E então… veio o trovão. “CABRUUUM!”

Tempestina assustou. — Ai! Agora vai cair tudo!

Nona falou firme: — Não. Agora vai cair do jeito certo.

E Nona apontou para a mata, para longe da vila. — Vento! Leva a gente pra lá!

O vento soprou: “FUUUUUUSH!”

As duas nuvens começaram a andar pelo céu, correndo de um lado para o outro, como se estivessem brincando de pega-pega.

Lá embaixo, as árvores balançaram: “shhh-shhh”.

E então começou a chuva.

Primeiro, uma chuvinha fininha: “tic-tic-tic”. Depois, uma chuvinha gostosa: “tchum-tchum”. Depois, uma chuva boa e forte, mas só em cima da mata: “tchibum, tchibum, tchibum!”

Ilustração da história A Nuvem que Queria Ser Montanha

O rio ficou feliz, mas não subiu demais. A vila continuou segura. As folhas beberam água. A terra fez “hmmmm”, como quem está satisfeita.

Tempestina respirou aliviada. — Ufa… não estraguei nada.

Nona sorriu. — Você viu? Quando a gente muda e se espalha, a água vai para onde precisa.

Tempestina ficou mais clara, menos escura. — Eu achei que ser pesada era ser forte… mas ser leve ajudou mais.

A Montanha Pedra-Quietinha, lá embaixo, observou tudo em silêncio. Depois, falou: — Nona… você foi corajosa.

Nona ficou surpresa. — Eu?

— Sim — disse a montanha. — Eu sou forte porque fico parada. Mas você é forte porque se move. Você protegeu a vila e regou a mata.

Nona sentiu um calor bom por dentro. — Então… meu jeito é importante?

— É — disse a montanha. — Cada um tem seu lugar.

Tiêzinho apareceu, voando bem rápido. — Piu-piu! Eu vi tudo! Nona, você foi uma supernuvem!

Nona riu. — Eu não virei montanha.

Tiêzinho cantou: — Ainda bem! Porque nuvem faz sombra, nuvem faz desenho, nuvem leva chuva.

Nona olhou para o céu azul que começava a voltar. Ela tentou virar montanha uma última vez… e depois desistiu.

— Quer saber? — ela disse. — Eu gosto de ser nuvem.

O vento soprou carinhoso. — Então dança, Nona.

E Nona dançou. Virou um elefante. Virou um bolo. Virou um foguete. — Vruuum! — ela brincou.

E quando alguém lá embaixo precisava de sombra, ela fazia uma sombrinha. Quando a mata precisava beber, ela chamava uma chuvinha. Quando uma nuvem assustada chegava tremendo, ela dizia: — Vem comigo. Nuvem sabe mudar. Nuvem sabe ajudar.

E assim, Nona aprendeu seu verdadeiro superpoder: ser leve, mudar de forma, e ir onde o mundo precisava dela.

E a Montanha Pedra-Quietinha ficou ali, firme, feliz também. Porque agora ela sabia: no céu, Nona era montanha de coragem… só que feita de vento e sonho.

✨ Moral da História

Seu superpoder pode estar exatamente no seu jeito de ser: leve, flexível e pronto para ajudar.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Você já olhou para o céu e viu uma nuvem com forma de animal? Qual animal?
  • 2Se você fosse uma nuvem, que forma você faria: coração, coelho ou bolo?
  • 3Você gosta mais de chuva fraquinha “tic-tic” ou chuva forte “tchibum”?
  • 4Quando venta “fuuuush”, você já sentiu o vento no rosto? Como foi?
  • 5Qual personagem você mais gostou: a Nona, a Tempestina ou o Tiêzinho?

O que achou desta história?

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