Fantasia

A Lua que Desceu para Brincar

27 de janeiro de 202615 min de leitura3 a 5 anos0 visualizações

Numa noite especial, a lua desce do céu para brincar com uma menina solitária e ensina que nunca estamos sozinhos.

Compartilhar:
A Lua que Desceu para Brincar

Lá no alto, bem alto, no céu do Brasil, morava uma Lua redonda e brilhante. Ela parecia uma bolacha de leite, grande e clarinha. De dia, ela descansava. À noite, ela acordava e fazia “plim, plim”, acendendo uma luz macia por cima das casas, das árvores e das ruas.

Numa cidade pequena, com pracinha, banco de madeira e um coreto pintado de azul, morava uma menina chamada Lila. Lila tinha quatro anos. Tinha cabelo cacheado e escuro, preso com uma presilha amarela em forma de estrela. Ela gostava de ficar na varanda da casa da vó, ouvindo os grilos: “cri-cri, cri-cri”.

Mas naquela noite, Lila estava quietinha. A rua estava calma. O vento fazia “fuuu” nas folhas do pé de goiaba. E Lila apertava um ursinho de pano no colo.

— Vó — chamou Lila, com voz baixinha. — Tá todo mundo ocupado.

A vó estava na cozinha, mexendo uma panela de canjica. A colher fazia “toc, toc, toc”.

— Já vou, minha flor — disse a vó. — Só vou terminar aqui.

Lila olhou para a pracinha pela grade. Não tinha criança correndo. Não tinha bola quicando. Só a Lua lá em cima, olhando tudo.

Lila suspirou.

— Eu queria alguém pra brincar… — ela falou, quase como segredo.

E sabe o que aconteceu?

A Lua ouviu.

Lá no céu, a Lua piscou devagar. “Plim.” Depois piscou de novo. “Plim.” Ela ficou pensando: “Como pode uma menina tão pequena se sentir sozinha?”

A Lua tinha um coração enorme. Um coração de luz. E ela tomou uma decisão bem diferente, bem corajosa.

— Hoje eu vou descer — a Lua disse para as estrelas. — Só um pouquinho. Só para brincar.

As estrelas fizeram “tlim-tlim-tlim”, assustadas.

— Mas Lua! — disseram elas. — E se alguém perceber?

— Vai ser só por um tempo — respondeu a Lua. — Brincadeira também é importante.

Então a Lua desceu.

Ela desceu bem devagar, como quem escorrega numa rampa de algodão. O céu ficou mais perto. A luz ficou mais quente. E a noite não ficou escura; ficou gostosa, como um cobertor leve.

Lila viu uma claridade diferente na pracinha.

— Ué… — ela arregalou os olhos. — Parece que a Lua tá… maior.

E ficou mesmo.

A Lua desceu até ficar bem pertinho do coreto azul, bem em cima da grama. Não era uma bola que caía; era uma Lua que flutuava. Ela brilhava macio, sem machucar os olhos.

Lila abriu o portão da varanda devagarinho. “Creck.” A sandália fez “tap-tap” no chão.

— Oi… — Lila falou, com a mãozinha na boca.

A Lua sorriu. Sim, a Lua sorriu. Um sorriso grande, redondo e bondoso.

— Oi, Lila — a Lua disse com voz de vento manso. — Eu ouvi você.

— Você… sabe meu nome? — Lila perguntou.

— Eu vejo você todas as noites — disse a Lua. — Eu fico lá em cima, cuidando. Mas hoje eu quis brincar aqui embaixo.

Lila chegou mais perto, com o ursinho apertado.

— Você veio… brincar comigo? — ela perguntou, ainda sem acreditar.

— Vim sim — respondeu a Lua. — Posso?

Lila soltou uma risadinha.

— Pode! Pode, sim!

E a pracinha, que estava quieta, ficou viva de um jeito diferente.

A Lua começou a brincar de “sombra”. Ela fazia luz de um lado e depois do outro, e as sombras de Lila e do ursinho dançavam no chão.

— Olha! Minha sombra tá grandona! — Lila falou.

A Lua mudou de lugar, bem devagar.

— Agora tá pequenininha! — Lila riu. — De novo! De novo!

— De novo! — disse a Lua.

E foi “plim”, “plim”, “plim”: a luz mudava, a sombra pulava, e Lila batia palmas: “plá-plá-plá”.

Depois, a Lua soprou uma brisa bem leve: “fuuu…” e folhas secas fizeram “chiii-chiii” no chão.

— Vamos brincar de barquinho? — perguntou a Lua.

— Barquinho? — Lila repetiu.

A Lua apontou para uma poça d’água perto do meio-fio. Tinha chovido mais cedo. A poça era pequena, mas brilhava como espelho.

— A gente pode fazer barquinhos de folha — disse a Lua.

Lila pegou uma folha de goiabeira. A Lua pegou outra… ou melhor, a Lua encostou sua luz na folha e ela ficou parecendo que tinha brilho.

Lila colocou a folha na poça.

— Pronto! Meu barquinho! — ela falou.

A Lua soprou: “fuuu!”

O barquinho andou: “tchic-tchic-tchic.”

— Uau! — Lila abriu um sorriso enorme. — Ele tá navegando!

A Lua soprou de novo, e os dois barquinhos fizeram corrida.

— O meu vai ganhar! — Lila disse.

— Então corre, barquinho! — a Lua falou, rindo com voz de sino: “lin-lin.”

Lila corria ao lado da poça, devagar, para não pisar dentro.

— Não pode afundar! — ela avisou.

A Lua ficou um pouquinho mais baixa, para ver de perto.

E foi aí que o vento mudou.

Um vento mais forte apareceu de repente: “FUUUU!”

As folhas rodaram no ar. “Vuuu-vuuu!”

Lila segurou o cabelo.

— Ai! — ela disse. — Meu barquinho!

O barquinho de folha começou a girar e foi para a beiradinha da poça. Quase, quase caiu no bueiro do meio-fio.

Lila arregalou os olhos.

— Não! Meu barquinho vai sumir!

A Lua também ficou preocupada. Sua luz tremelicou: “plim… plim…”

— Calma, Lila — a Lua disse. — Eu vou ajudar.

Mas o vento continuou: “FUUU!”

Lila esticou a mãozinha, mas era longe. Ela era pequena. A poça parecia um mar.

— Eu não consigo… — ela falou, com a voz tremendo.

A Lua desceu mais um pouquinho. A praça ficou toda iluminada, bem clarinha, como se fosse manhã. E a Lua esticou um raio de luz, fininho como fita.

Ilustração da história A Lua que Desceu para Brincar

O raio de luz tocou a água com cuidado. A água fez “ploc”. O barquinho parou de girar, como se o raio fosse uma mão de luz segurando ele.

— Segura, barquinho! — Lila gritou.

A Lua soprou o vento do jeito certo, bem de leve: “fuu…”

E o barquinho voltou para o meio da poça. Lila puxou com a pontinha do dedo e pegou a folha rapidinho.

— Consegui! — ela disse, pulando. — Ufa!

A Lua brilhou mais forte, feliz.

— Viu? — a Lua falou. — Quando a gente pede ajuda, as coisas ficam mais fáceis.

Lila abraçou o ursinho.

— Eu fiquei com medo de ficar sem meu barquinho… — ela confessou.

— Medo acontece — disse a Lua. — Mas você não precisa enfrentar tudo sozinha.

Lila olhou para a Lua, bem pertinho.

— Mas… eu tava sozinha — ela disse, lembrando do começo.

A Lua fez uma luz quentinha que parecia carinho.

— Lila — a Lua falou devagar — você nunca está sozinha.

— Nunca? — Lila perguntou.

— Nunca — confirmou a Lua. — Tem a sua vó na cozinha. Tem seu ursinho no seu colo. Tem os grilos cantando com você. “Cri-cri, cri-cri.” Tem as árvores balançando. “Fuuu.” E tem eu… lá no alto.

Lila ficou quietinha, ouvindo.

— Eu vejo você quando você ri — disse a Lua. — E quando você fica triste também.

— Então você me conhece de verdade? — Lila perguntou.

— Conheço — disse a Lua. — E eu gosto de você.

Lila sentiu o peito quentinho, como quando a vó dá abraço depois do banho.

— Eu também gosto de você, Lua — ela falou.

Naquele momento, a vó apareceu na porta da casa, com um pano de prato no ombro.

— Lila? — a vó chamou. — Cadê você, meu bem?

Lila respondeu animada:

— Tô aqui, vó! Na pracinha!

A vó andou até a grade e ficou olhando, surpresa.

— Uai… que lua bonita hoje! — ela disse, coçando a cabeça. — Parece que tá mais perto.

A Lua piscou para Lila: “plim.”

Lila piscou de volta.

— Vó, eu tava brincando — disse Lila. — E eu não tô mais sozinha.

A vó sorriu com um sorriso bem grande.

— Que bom, minha flor — ela falou. — Vem cá, vamos tomar canjica quentinha.

Lila olhou para a Lua.

— Você vem? — ela convidou.

A Lua riu de leve.

— Eu não como canjica — ela disse. — Mas eu posso ficar olhando você comer.

— Então tá — Lila concordou.

A Lua começou a subir devagarinho, como balão de festa que sobe sem pressa. “Fuuu…”

— Lua! — Lila chamou. — Você volta?

— Eu volto toda noite — respondeu a Lua. — E quando você sentir saudade, é só olhar pra cima.

Lila levantou o braço e deu tchau.

— Tchau, Lua!

— Tchau, Lila — disse a Lua. “Plim.”

Lila entrou em casa com a vó. A canjica tinha cheiro de leite, canela e carinho. A colher fez “toc-toc”. E lá fora, os grilos continuaram: “cri-cri, cri-cri”.

Depois, quando Lila foi para a cama, ela olhou pela janela. A Lua estava lá em cima de novo, redonda e calma.

— Boa noite — Lila sussurrou.

E a Lua respondeu com uma piscadinha macia: “plim.”

Lila fechou os olhos sorrindo, sentindo que, mesmo no silêncio da noite, havia companhia: a vó, o ursinho, os sons da rua e a Lua cuidando de tudo.

E assim, naquela noite especial, Lila aprendeu uma coisa importante: quando a gente se sente sozinho, pode olhar em volta, pode chamar alguém, pode lembrar que sempre existe luz pertinho da gente — até lá no céu.

✨ Moral da História

Mesmo quando parece que estamos sozinhos, sempre há alguém e alguma luz por perto para nos acompanhar e ajudar.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Você já olhou para a Lua de noite? Como ela estava?
  • 2Qual brincadeira você faria com a Lua: sombra ou barquinho de folha?
  • 3Você tem um brinquedo que te faz companhia, como o ursinho da Lila?
  • 4Quando você fica com medo, quem você chama para te ajudar?
  • 5Você consegue fazer um som de grilo: “cri-cri”?

O que achou desta história?

Histórias Relacionadas

Comentários (0)

Raposinha

Deixe seu comentário

Não será exibido publicamente

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!