Aventura

A Jangada dos Sonhos

27 de janeiro de 202615 min de leitura3 a 5 anos0 visualizações

Um menino pescador constrói uma jangada e navega pela costa nordestina encontrando criaturas marinhas amigas.

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A Jangada dos Sonhos

Na beira do mar azul do Nordeste, bem cedinho, o sol acordava devagarinho. O céu ficava cor-de-rosa, depois amarelinho. E as ondas faziam “xiiiii… xiiiii…”.

Numa vila pequena, com casinhas simples e cheiro de peixe fresco, morava um menino pescador. O nome dele era Bento. Bento era pequeno, mas tinha um coração grande, grandão. Ele adorava olhar o mar e dizer bem baixinho:

— Mar, mar… me conta um sonho?

O vento respondia “fuuuu… fuuuu…”, como se fosse um segredo.

Bento ajudava o pai a consertar redes. Também ajudava a mãe a separar conchas bonitas para enfeitar a janela. E, quando terminava, ele corria descalço na areia quente.

Um dia, Bento viu um pedaço de madeira lisa perto das pedras. Depois viu outro. E outro. Pareciam tábuas que o mar tinha trazido de presente.

— Uau! — disse Bento, com os olhos brilhando. — Vou fazer uma jangada! Uma jangada dos sonhos!

Ele falou isso bem alto, como se o mar precisasse ouvir.

Bento juntou as madeiras. Arrastou pela areia fazendo “rrrshhh… rrrshhh…”. Pediu ajuda ao pai.

— Pai, me ajuda a amarrar? Bem firme!

O pai sorriu.

— Ajudo, sim. Mas com calma e com cuidado, Bento. Jangada precisa ser amiga do mar.

Eles amarraram as madeiras com corda grossa. “Puxa, puxa, puxa!” A corda ficou apertadinha.

A mãe trouxe um pedaço de pano vermelho.

— Pra fazer uma vela bonita — disse ela. — Vermelha como o coração de quem sonha.

Bento pulou de alegria.

— Oba! Minha vela! Minha jangada!

Ele pegou uma concha grande, bem branquinha, e colocou na frente da jangada como se fosse um nariz.

— Você vai se chamar Jangada dos Sonhos — falou Bento, fazendo carinho na madeira. — E a gente vai passear pela costa. Só um pouquinho. Só perto.

Na manhã seguinte, Bento levou a jangada para a água. As ondas vieram e voltaram, de mansinho.

— Xiiiii… xiiiii… — cantou o mar.

Bento entrou com cuidado. Levou um chapéu de palha, uma garrafinha de água e um pãozinho. Sentou e respirou fundo.

— Pronto. Vamos, Jangada dos Sonhos.

O vento soprou:

— Fuuuu… fuuuu…

E a jangada andou. Devagar. Bem devagar. Como quem dança.

Bento olhava para os lados. Via a areia clara. Via as falésias lá longe, laranjas e altas. Via uma rede de pesca num barco distante. E, de repente… “ploc!”

Um focinho cinza apareceu na água.

— Oi! — disse uma voz alegre.

Bento arregalou os olhos.

— Quem falou?

— Eu! — disse o focinho, virando uma cara sorridente. Era um golfinho! — Meu nome é Duda. Posso nadar do seu lado?

Bento ficou tão feliz que quase derrubou o chapéu.

— Pode! Pode sim! Eu sou o Bento.

Duda deu um salto.

— Pruuuf! — fez o golfinho, molhando um pouquinho a jangada.

Bento riu.

— Ei! Você me fez cócegas de água!

Eles seguiram juntos. A jangada deslizando. O golfinho nadando.

Logo adiante, um montinho escuro apareceu. Não era pedra. Era uma tartaruga grande e calma, com casco brilhando como panela limpa.

— Bom dia, pequenino — disse a tartaruga, com voz mansa. — Sou a Tita.

Bento acenou.

— Bom dia, Tita! Você quer passear também?

— Quero. Mas bem devagarinho — respondeu Tita. — Eu gosto de viajar sem pressa.

— Eu também! — disse Bento. — Minha jangada gosta de calma.

Duda rodopiou em volta.

— Eu gosto de rápido! Mas eu posso esperar! — E fez: — Pruuuf, pruuuf!

Mais à frente, o mar ficou mais verdinho. Bento viu algas dançando embaixo, como fitas.

De repente, “tic-tic-tic!”

Um peixinho colorido apareceu, listrado de amarelo e azul.

— Eu sou o Pingo! — disse ele. — Eu faço cócegas no mar!

— Como assim? — perguntou Bento.

Pingo passou perto da jangada e fez bolhinhas.

— Blub-blub-blub!

Bento gargalhou.

— Hahaha! Parecem risadas!

Os três amigos — Duda, Tita e Pingo — foram junto com Bento. Era como um cortejo de amigos do mar.

Bento se sentia corajoso. Mas também se sentia pequenininho perto daquele mar tão grande.

O vento mudou um pouquinho. As nuvens cresceram no céu, como algodão cinza. O mar começou a fazer um som mais forte:

— XAAAA… XAAAA…

Bento apertou a corda da vela.

— O vento tá mais forte…

Duda apareceu bem perto.

— Bento, eu conheço esse pedaço do mar. Quando ele fala alto, a gente precisa ouvir.

Tita subiu um pouquinho para respirar.

— A gente volta, sim. Juntos.

Bento olhou para trás. A vila estava menor. Bem menor.

— Eu… eu quero voltar. Minha mãe vai sentir saudade.

De repente, uma onda maior levantou a jangada.

— UUUUP! — fez a jangada.

Bento segurou firme.

— Ai!

A jangada balançou de um lado pro outro.

— Vai, Jangada dos Sonhos, aguenta! — pediu Bento.

O vento soprou forte:

— FUUUUUU!

A vela vermelha esticou. A jangada foi empurrada para um lado. Bento sentiu o coração bater “tum-tum-tum”.

— Eu tô com medo… — ele sussurrou.

Duda pulou alto e caiu perto, fazendo um “PRUUUUF!” grande.

— Bento, olha pra mim! Eu vou te guiar! — falou Duda.

Tita chegou ao lado da jangada.

— Encosta sua mão no casco da jangada — disse Tita. — Sente ela firme. Respira.

Pingo nadou rapidinho e fez bolhas na frente.

— Blub! Blub! Siga as bolhas! Eu vou mostrar um caminho mais calminho!

O mar estava agitado. Mas os amigos não foram embora. Eles ficaram.

Bento respirou como Tita ensinou.

— Um… dois… — ele contou baixinho. — Tô respirando.

Duda nadou na frente, apontando com o corpo.

— Por aqui! Tem uma água mais quieta, perto das pedras grandes.

Bento segurou a corda e virou a vela um pouquinho, como o pai tinha mostrado.

— Assim?

— Isso! — disse Duda.

A onda veio de novo, grande, grandona. A jangada subiu.

Ilustração da história A Jangada dos Sonhos

— UAAAA! — gritou Bento, mas não soltou.

Tita empurrou de leve a lateral da jangada, com cuidado, como uma mão amiga.

— Calma, calminho. Eu tô aqui.

Pingo fez bolhas bem perto do rosto de Bento.

— Blub-blub! Risada de bolha! Não desiste!

Bento ouviu os sons: o “xaaaa” do mar, o “fuuuu” do vento, o “pruuuf” do golfinho, o “blub” do peixinho. E sentiu um calorzinho no peito.

— Eu não tô sozinho — disse ele, com voz firme.

A jangada passou pela parte mais agitada. E, como mágica, o mar ficou mais manso.

— Xiiiii… xiiiii… — voltou a cantar.

O céu clareou. Uma frestinha de sol apareceu e pintou a vela vermelha de brilho.

Bento sorriu, ainda com o coração acelerado.

— Conseguimos!

Duda deu três pulos.

— Pruuuf! Pruuuf! Pruuuf!

Tita piscou devagar.

— Eu disse. Juntos.

Pingo fez uma volta e deixou um rastro de bolhas.

— Blub-blub-blub! Vitória!

Agora, era hora de voltar para casa. Bento olhou para o caminho e viu, lá longe, a linha da praia. O cheiro de sal parecia mais doce.

Ele conversou com a jangada como se ela fosse gente.

— Obrigado, Jangada dos Sonhos. Você foi forte.

A jangada parecia responder com um rangidinho suave: “crec… crec…”, como um sim.

Quando chegaram perto da vila, Bento já viu o pai na areia, com a mão na testa, procurando no horizonte. Viu a mãe também, com uma cesta de conchas e o coração apertado.

— Bento! — gritou a mãe.

— Filho! — gritou o pai.

Bento acenou com os dois braços.

— Eu tô aqui! Eu voltei!

Duda, Tita e Pingo ficaram na água, perto da jangada. Eles não queriam assustar ninguém na praia. Mas queriam se despedir.

Bento sussurrou:

— Obrigado, amigos do mar.

Duda respondeu:

— Quando você sonhar, a gente aparece.

Tita falou:

— E quando você tiver medo, lembra: respira.

Pingo fez:

— Blub! E faz bolha de coragem!

Bento encostou a jangada na areia. “Shhh… shhh…”. O pai correu e abraçou o menino.

— Você foi valente — disse o pai. — Mas sempre avise antes de ir, tá bem? Mar é lindo, mas precisa de cuidado.

— Tá bem, pai — respondeu Bento, com a voz mansinha.

A mãe abraçou forte.

— Meu pescadorzinho.

Bento olhou o mar e falou com carinho:

— Eu naveguei um pouquinho… e aprendi muito.

À noite, a vila ficou quietinha. As estrelas apareceram, brilhando como conchas no céu. Bento deitou na rede e fechou os olhos.

Ele ouviu, lá longe, o mar cantando “xiiiii… xiiiii…”. E quase deu para ouvir, bem baixinho, um “pruuuf” e um “blub”.

Bento sorriu.

— A Jangada dos Sonhos… sempre volta pra casa.

E ele dormiu sonhando com amigos do mar, com vento manso, e com coragem dentro do peito.

✨ Moral da História

Quando a gente pede ajuda e fica junto dos amigos, o medo diminui e a coragem cresce.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Você já viu o mar de perto?
  • 2Qual amigo do Bento você mais gostou: o golfinho, a tartaruga ou o peixinho?
  • 3Se você tivesse uma jangada, que cor seria a vela?
  • 4Você faz som de onda comigo? Como o mar faz: “xiiiii… xiiiii…”
  • 5Quando você sente um medinho, você gosta de abraço? De quem?

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