A Família do Abraço Grande
Nina acha que família é só quem mora na mesma casa. Depois de um dia cheio de surpresas, ela descobre que família também é quem cuida, escuta e ajuda, mesmo quando não é igual a gente. No final, um “abraço grande” mostra que amor pode caber em muitos formatos.

Nina tinha 7 anos e gostava de organizar tudo: os lápis por cor, os livros por tamanho e até os brinquedos por tipo. Um dia, na escola, a professora pediu:
— Crianças, amanhã vamos fazer o Dia da Família. Tragam um desenho de quem é a família de vocês.
Nina sorriu, porque isso parecia fácil. Em casa, ela pegou uma folha bem branca e desenhou: ela, a mãe, o pai e o irmão. Quatro pessoas. Pronto.
No dia seguinte, na sala, cada colega mostrou seu desenho.
— Aqui sou eu com a minha mãe e minha avó — contou Bia. — Aqui sou eu com meus dois pais — disse Caio. — Aqui sou eu com meu padrasto, minha mãe e meu gatinho — falou Léo.
Nina franziu a testa. “Gatinho? Avó? Dois pais? Padrasto?” Ela levantou a mão:
— Professora… mas isso é família mesmo?
A professora respondeu com calma:
— Família é quem cuida de você e com quem você aprende a cuidar também. Existem muitos tipos de família.
Nina ficou pensando nisso o resto do dia.

Na tarde seguinte, Nina foi visitar a avó Dita. A avó morava perto e sempre tinha cheiro de bolo na cozinha.
— Vó, você é minha família? — perguntou Nina, bem séria.
A avó riu, limpando as mãos no avental.
— Sou sim! Eu cuido de você com amor. E você cuida de mim quando me ensina a mexer no celular, lembra?
Nina lembrou da última vez em que a avó tinha mandado um áudio enorme sem querer. Ela ajudou e as duas riram juntas.
Na volta para casa, Nina viu o vizinho, seu Orlando, tentando carregar muitas sacolas. Uma delas caiu e as laranjas rolaram pela calçada.
— Ih! — disse Nina.
Ela correu para juntar as laranjas.
— Obrigado, Nina — falou seu Orlando, respirando fundo. — Minhas mãos já não são tão rápidas.
— De nada — respondeu ela.
A mãe de Nina, que vinha logo atrás, comentou:
— Viu? Você cuidou dele.
Nina pensou: “Mas ele não mora comigo…” Mesmo assim, sentiu o peito quentinho, como se tivesse feito algo importante.
Mais tarde, em casa, o irmão de Nina, o Tomás, ficou bravo porque não achava o carrinho preferido.
— Sumiu! — reclamou ele, quase chorando.
Nina respirou e lembrou do que a professora disse: família também aprende a cuidar.
— Tomás, vamos procurar juntos — disse ela.
Eles olharam embaixo do sofá, atrás da cortina e até dentro da caixa de fantasias. Por fim, encontraram o carrinho dentro da mochila.
— Eu coloquei aí sem querer… — Tomás falou, envergonhado.
— Tudo bem — Nina respondeu. — Acontece.
Tomás deu um abraço apertado nela.

Na noite daquele dia, Nina pegou o desenho antigo e olhou de novo. Quatro pessoas. Parecia pequeno.
Ela pegou outra folha e começou um novo desenho.
Dessa vez, desenhou ela, a mãe, o pai e o Tomás. Depois, desenhou a avó Dita com um avental e um bolo. Desenhou também seu Orlando com sacolas e algumas laranjas no chão. E, no cantinho, desenhou a professora sorrindo.
Quando terminou, ficou admirando.
— Mãe… dá para ter uma família grande assim? — perguntou Nina, mostrando o papel.
A mãe olhou com carinho.
— A família que mora na nossa casa é a nossa base. Mas existem pessoas que viram família do coração: porque cuidam, ensinam e fazem a gente se sentir seguro.
Nina concordou devagar.
No dia do evento, a escola estava enfeitada com cartazes coloridos. Cada criança colocou seu desenho numa parede.
Nina colou o dela e ficou um pouco nervosa. E se alguém dissesse que estava errado?
Caio chegou perto.
— Uau! Quem é esse senhor com laranjas?
— É o seu Orlando. Ele é meu vizinho. Eu ajudei ele e ele sempre me dá bom-dia com sorriso — explicou Nina.
Bia apontou para a avó no desenho.
— Ela parece fazer bolo gostoso!
— Faz mesmo! — Nina riu.
A professora chamou todos para uma roda.
— Hoje vamos fazer o “Abraço Grande da Família”. Cada um vai dizer uma coisa que aprendeu sobre cuidar.
Quando chegou a vez de Nina, ela respirou fundo e falou:
— Eu aprendi que família é quem cuida. Às vezes mora com a gente, como meu irmão e meus pais. Às vezes mora perto, como minha avó. E às vezes… mora do outro lado do muro, como um vizinho. E quando a gente cuida também, o coração fica maior.
A professora sorriu.
— Muito bem, Nina.
Então todos deram as mãos e fizeram um círculo bem grande. Alguns pais e mães entraram na roda, avós também. Teve gente com dois pais, com duas mães, com tios, com irmãos, com madrastas e padrastos. Teve até um bebê no colo, batendo palminhas.
Nina olhou ao redor e entendeu: o amor não precisava ser organizado em caixinhas.
— Abraço grande! — gritou a professora.
E o círculo virou uma mistura de risadas e braços apertados.

Na volta para casa, Nina guardou o desenho com cuidado.
— Mãe — disse ela — acho que minha família é como um cobertor: tem partes diferentes, mas esquenta do mesmo jeito.
A mãe beijou a testa de Nina.
— Essa foi uma comparação linda.
E naquela noite, Nina dormiu tranquila, sabendo que família é onde o cuidado mora.
✨ Moral da História
“Família é quem cuida de você e com quem você aprende a cuidar, mesmo que seja diferente do que você imaginava.”
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