O Número que Estava Perdido
O número 7 se perde da sequência e todas as crianças ajudam a encontrá-lo, aprendendo sobre números.
Na Rua das Mangueiras, numa cidade bem brasileira, tinha uma escolinha pequenina e alegre. Na frente, havia um pé de jabuticaba, um banco amarelo e um portão que fazia: “CREC-CREC” quando abria.
Lá dentro, as crianças gostavam de cantar e contar. Contavam brinquedos, contavam palmas, contavam passos. Tudo com a professora Lúcia, que tinha um vestido cheio de bolinhas coloridas.
— Bom dia, turma! — disse a professora, batendo palmas: pá-pá-pá!
— Bom diiiia! — cantaram as crianças.
Na roda do tapete, a professora mostrou um cartaz grande com números bem gorduchinhos e sorridentes.
— Vamos cantar a música dos números? — perguntou ela.
E todo mundo começou, apontando com o dedinho:
— Um, dois, três, quatro, cinco, seis… — as vozes foram ficando animadas.
Aí, a professora apontou o próximo espaço do cartaz.
— E agora vem o… — ela parou.
O lugar do número 7 estava vazio.
Vazio, vazio. Um buraquinho no cartaz.
As crianças abriram a boca.
— Opa! Cadê o sete? — disse Bia, com dois maria-chiquinhas bem altos.
— Sumiu! — falou Dudu, apertando seu carrinho vermelho.
— Desapareceu! — sussurrou Leo, com olhos arregalados.
A professora Lúcia fez cara de surpresa, mas sorriu com calma.
— Às vezes, quando a gente não olha, uma coisa pode se perder. Vamos ajudar o número 7 a voltar para a sequência?
— Vamos! — gritou a turma.
A professora pegou uma lupa de brinquedo, dessas de detetive.
— Turma, missão: procurar o número 7. Mas tem uma regra: para procurar, a gente vai contar direitinho. Contar ajuda a achar.
As crianças gostaram. Missão! Detetives!
— Primeiro, vamos contar quantas crianças estão na roda. — disse a professora.
Ela apontou um por um.
— Um… dois… três… quatro… cinco… seis… — quando ela ia falar “sete”, todos olharam para o vazio e riram.
— Ih, não dá! — disse Bia.
— Dá sim — falou a professora. — Se o sete está perdido, vamos ser sete com a ajuda de alguém.
Ela chamou a boneca da sala, a Boneca Maricota, e colocou na roda.
— Agora, com a Maricota, vamos de novo.
— Um… dois… três… quatro… cinco… seis… sete! — disseram juntos.
— Viu? O sete existe. Só está escondido. Vamos procurar onde ele foi parar.
A professora abriu o armário dos brinquedos. Lá dentro tinha blocos, panelinhas, livros e fantoches.
— Vamos procurar por pistas. O número 7 pode estar em algum lugar com sete coisas.
— Sete coisas! — repetiu Dudu.
— Sete coisas! — repetiu Bia.
Eles começaram a olhar ao redor.
No cantinho da leitura, Leo apontou:
— Professora! Tem um livro com um desenho de… de… sete estrelas!
No livro, havia sete estrelinhas brilhando. A professora passou o dedo.
— Uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete. Muito bem! Mas o número 7 não está aqui.
Bia correu até a mesa de massinha.
— Eu tenho sete bolinhas de massinha! Olha! — Ela fez bolinhas e foi contando, bem devagar.
— Uma… duas… três… quatro… cinco… seis… sete!
As bolinhas ficaram alinhadas, como um trenzinho.
— Piuííí! — fez Dudu, como se fosse o trem.
— Que lindo — disse a professora. — Mas o sete ainda não apareceu.
Dudu foi até a caixa de carrinhos.
— Eu vou pegar sete carrinhos! — Ele puxou um por um: — Um, dois, três, quatro, cinco, seis… sete!
E colocou no chão.
— Vrum-vrum! — ele fez, empurrando o primeiro.
— Contar é poderoso — falou a professora. — O sete gosta de quem conta com carinho.
A turma foi para o pátio. O sol estava morno. Um passarinho cantava “piu-piu”. E perto do pé de jabuticaba, caíram frutinhas roxas.
— Vamos procurar o sete no pátio — disse a professora. — Talvez ele esteja perto da natureza.
As crianças olharam no chão, nos cantos, atrás do escorregador.
Leo encontrou pegadinhas na areia.
— Pegadas! — ele falou.
— Vamos seguir as pegadas — disse a professora.
As pegadinhas iam até a casinha de brinquedo. Lá dentro, tinha uma panelinha e umas colherzinhas.
Bia entrou primeiro.
— Tem cheirinho de sopa! — ela disse.
Dudu fez barulho de cozinheiro:
— Tchic-tchic-tchic! Mexe-mexe!
E, bem no chão, havia um montinho de tampinhas coloridas.
— Vamos contar as tampinhas — falou a professora.
As crianças contaram juntas:
— Um… dois… três… quatro… cinco… seis… — e pararam.
— Falta uma! — disse Leo.
Bia olhou debaixo da panelinha.
— Achei! A sétima tampinha!
— Então são sete tampinhas — disse a professora. — Uma pista boa. Mas o número 7 ainda está escondido.
Nessa hora, um ventinho passou: “Fuuuush…”
Uma folha de papel voou do mural da escola e foi parar perto do banco amarelo.
— Olha! — gritou Dudu. — Um papel voando!
Eles correram. Era um pedaço do cartaz dos números, aquele mesmo da sala. No papel tinha o número 8 sorrindo.
— O oito caiu — disse Bia.
A professora segurou o papel com cuidado.
— Se o oito caiu, talvez o sete esteja perto dele.
Leo apontou para um lugar atrás do banco. Tinha um buraquinho escuro, como uma pequena caverna.
— Eu ouvi um “tlim”! — ele disse. — Foi ali.
As crianças ficaram juntinhas. Um pouco de medo, mas mais curiosidade.
— Eu vou olhar — falou a professora, com voz calma. — Vocês ficam do meu lado.
Ela se abaixou, colocou a mão devagar e… sentiu algo de papel.
— Ahá! — ela falou.
E puxou.

Saiu de lá o número 7!
Era o 7 do cartaz: amarelo, com bochechas rosadas e um sorrisão. Mas ele estava amassadinho, com poeira na ponta.
— Sete! — gritaram as crianças.
— Achei! Achei! — pulou Dudu. — Eu sabia!
Bia fez carinho no papel.
— Tadinho. Você caiu, né?
O número 7 parecia até falar, sem palavras, só com o jeito do desenho. A professora imaginou a voz dele, fininha e engraçada:
— Eu escorreguei… ploft! E rolei… rolêi… até ficar preso aqui!
As crianças riram.
— Vamos cuidar dele — disse Leo, bem sério.
Voltaram para a sala. A professora colocou o 7 sobre a mesa e alisou com a mão.
— Vamos deixar o sete bem lisinho: passa-passa… pronto.
Bia pegou um pedacinho de fita.
— Eu ajudo!
Dudu trouxe um paninho.
— Eu limpo: esfrega-esfrega!
O número 7 ficou limpinho e feliz.
Então a professora Lúcia levantou o cartaz e mostrou o espaço vazio.
— Turma, onde o sete vai?
— Aqui! — disseram todos, apontando.
A professora colou o 7 no lugar certinho, entre o 6 e o 8.
— Agora vamos cantar de novo, bem alto, para o sete lembrar que ele tem um lugar.
E a turma cantou, com palmas:
— Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez!
— Pá-pá-pá! — bateram palmas.
— Viva! — gritou Dudu.
— Viva! — gritou Bia.
Leo sorriu, aliviado.
A professora então pegou um saquinho com bolinhas de papel.
— Vamos fazer um jogo do sete. Cada um vai pegar sete bolinhas e colocar dentro do pote. Quem quer tentar?
As crianças foram uma a uma.
Bia contou devagar:
— Uma… duas… três… quatro… cinco… seis… sete.
— Muito bem! — disse a professora.
Dudu contou rápido e depois conferiu de novo, porque era importante.
— Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Certo!
Leo contou com o dedinho, encostando em cada bolinha.
— Uma… duas… três… quatro… cinco… seis… sete.
E a professora falou:
— Viram como contar ajuda a gente a organizar, achar e cuidar? O número 7 se perdeu, mas vocês ajudaram com atenção e amizade.
Na hora de ir embora, o portão fez “CREC-CREC” outra vez. O céu estava azul e o pé de jabuticaba balançava.
Bia acenou para o cartaz.
— Tchau, sete!
Dudu fez um “tchau” com a mão grandona.
— Não se perde mais, hein!
Leo falou baixinho:
— Agora eu sei. Depois do seis vem o sete.
E o número 7, bem coladinho no lugar, parecia sorrir ainda mais. Porque ele tinha encontrado sua sequência. E tinha encontrado uma turma que sabia procurar com carinho.
E, naquele dia, todo mundo aprendeu: contar é uma forma de cuidar.
✨ Moral da História
“Quando a gente conta com atenção e ajuda os amigos, tudo encontra o seu lugar de novo.”
Vamos Conversar?
Perguntas para conversar com a criança após a leitura:
- 1Você sabe contar até sete comigo?
- 2Qual número você mais gosta: 6, 7 ou 8?
- 3Você já perdeu algum brinquedo? Quem te ajudou a achar?
- 4Você consegue mostrar sete dedinhos?
- 5Onde você acha que o número 7 estava escondido?
O que achou desta história?
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