Aprendizado

O Número que Estava Perdido

27 de janeiro de 202614 min de leitura3 a 5 anos1 visualizações

O número 7 se perde da sequência e todas as crianças ajudam a encontrá-lo, aprendendo sobre números.

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Na Rua das Mangueiras, numa cidade bem brasileira, tinha uma escolinha pequenina e alegre. Na frente, havia um pé de jabuticaba, um banco amarelo e um portão que fazia: “CREC-CREC” quando abria.

Lá dentro, as crianças gostavam de cantar e contar. Contavam brinquedos, contavam palmas, contavam passos. Tudo com a professora Lúcia, que tinha um vestido cheio de bolinhas coloridas.

— Bom dia, turma! — disse a professora, batendo palmas: pá-pá-pá!

— Bom diiiia! — cantaram as crianças.

Na roda do tapete, a professora mostrou um cartaz grande com números bem gorduchinhos e sorridentes.

— Vamos cantar a música dos números? — perguntou ela.

E todo mundo começou, apontando com o dedinho:

— Um, dois, três, quatro, cinco, seis… — as vozes foram ficando animadas.

Aí, a professora apontou o próximo espaço do cartaz.

— E agora vem o… — ela parou.

O lugar do número 7 estava vazio.

Vazio, vazio. Um buraquinho no cartaz.

As crianças abriram a boca.

— Opa! Cadê o sete? — disse Bia, com dois maria-chiquinhas bem altos.

— Sumiu! — falou Dudu, apertando seu carrinho vermelho.

— Desapareceu! — sussurrou Leo, com olhos arregalados.

A professora Lúcia fez cara de surpresa, mas sorriu com calma.

— Às vezes, quando a gente não olha, uma coisa pode se perder. Vamos ajudar o número 7 a voltar para a sequência?

— Vamos! — gritou a turma.

A professora pegou uma lupa de brinquedo, dessas de detetive.

— Turma, missão: procurar o número 7. Mas tem uma regra: para procurar, a gente vai contar direitinho. Contar ajuda a achar.

As crianças gostaram. Missão! Detetives!

— Primeiro, vamos contar quantas crianças estão na roda. — disse a professora.

Ela apontou um por um.

— Um… dois… três… quatro… cinco… seis… — quando ela ia falar “sete”, todos olharam para o vazio e riram.

— Ih, não dá! — disse Bia.

— Dá sim — falou a professora. — Se o sete está perdido, vamos ser sete com a ajuda de alguém.

Ela chamou a boneca da sala, a Boneca Maricota, e colocou na roda.

— Agora, com a Maricota, vamos de novo.

— Um… dois… três… quatro… cinco… seis… sete! — disseram juntos.

— Viu? O sete existe. Só está escondido. Vamos procurar onde ele foi parar.

A professora abriu o armário dos brinquedos. Lá dentro tinha blocos, panelinhas, livros e fantoches.

— Vamos procurar por pistas. O número 7 pode estar em algum lugar com sete coisas.

— Sete coisas! — repetiu Dudu.

— Sete coisas! — repetiu Bia.

Eles começaram a olhar ao redor.

No cantinho da leitura, Leo apontou:

— Professora! Tem um livro com um desenho de… de… sete estrelas!

No livro, havia sete estrelinhas brilhando. A professora passou o dedo.

— Uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete. Muito bem! Mas o número 7 não está aqui.

Bia correu até a mesa de massinha.

— Eu tenho sete bolinhas de massinha! Olha! — Ela fez bolinhas e foi contando, bem devagar.

— Uma… duas… três… quatro… cinco… seis… sete!

As bolinhas ficaram alinhadas, como um trenzinho.

— Piuííí! — fez Dudu, como se fosse o trem.

— Que lindo — disse a professora. — Mas o sete ainda não apareceu.

Dudu foi até a caixa de carrinhos.

— Eu vou pegar sete carrinhos! — Ele puxou um por um: — Um, dois, três, quatro, cinco, seis… sete!

E colocou no chão.

— Vrum-vrum! — ele fez, empurrando o primeiro.

— Contar é poderoso — falou a professora. — O sete gosta de quem conta com carinho.

A turma foi para o pátio. O sol estava morno. Um passarinho cantava “piu-piu”. E perto do pé de jabuticaba, caíram frutinhas roxas.

— Vamos procurar o sete no pátio — disse a professora. — Talvez ele esteja perto da natureza.

As crianças olharam no chão, nos cantos, atrás do escorregador.

Leo encontrou pegadinhas na areia.

— Pegadas! — ele falou.

— Vamos seguir as pegadas — disse a professora.

As pegadinhas iam até a casinha de brinquedo. Lá dentro, tinha uma panelinha e umas colherzinhas.

Bia entrou primeiro.

— Tem cheirinho de sopa! — ela disse.

Dudu fez barulho de cozinheiro:

— Tchic-tchic-tchic! Mexe-mexe!

E, bem no chão, havia um montinho de tampinhas coloridas.

— Vamos contar as tampinhas — falou a professora.

As crianças contaram juntas:

— Um… dois… três… quatro… cinco… seis… — e pararam.

— Falta uma! — disse Leo.

Bia olhou debaixo da panelinha.

— Achei! A sétima tampinha!

— Então são sete tampinhas — disse a professora. — Uma pista boa. Mas o número 7 ainda está escondido.

Nessa hora, um ventinho passou: “Fuuuush…”

Uma folha de papel voou do mural da escola e foi parar perto do banco amarelo.

— Olha! — gritou Dudu. — Um papel voando!

Eles correram. Era um pedaço do cartaz dos números, aquele mesmo da sala. No papel tinha o número 8 sorrindo.

— O oito caiu — disse Bia.

A professora segurou o papel com cuidado.

— Se o oito caiu, talvez o sete esteja perto dele.

Leo apontou para um lugar atrás do banco. Tinha um buraquinho escuro, como uma pequena caverna.

— Eu ouvi um “tlim”! — ele disse. — Foi ali.

As crianças ficaram juntinhas. Um pouco de medo, mas mais curiosidade.

— Eu vou olhar — falou a professora, com voz calma. — Vocês ficam do meu lado.

Ela se abaixou, colocou a mão devagar e… sentiu algo de papel.

— Ahá! — ela falou.

E puxou.

Ilustração da história O Número que Estava Perdido

Saiu de lá o número 7!

Era o 7 do cartaz: amarelo, com bochechas rosadas e um sorrisão. Mas ele estava amassadinho, com poeira na ponta.

— Sete! — gritaram as crianças.

— Achei! Achei! — pulou Dudu. — Eu sabia!

Bia fez carinho no papel.

— Tadinho. Você caiu, né?

O número 7 parecia até falar, sem palavras, só com o jeito do desenho. A professora imaginou a voz dele, fininha e engraçada:

— Eu escorreguei… ploft! E rolei… rolêi… até ficar preso aqui!

As crianças riram.

— Vamos cuidar dele — disse Leo, bem sério.

Voltaram para a sala. A professora colocou o 7 sobre a mesa e alisou com a mão.

— Vamos deixar o sete bem lisinho: passa-passa… pronto.

Bia pegou um pedacinho de fita.

— Eu ajudo!

Dudu trouxe um paninho.

— Eu limpo: esfrega-esfrega!

O número 7 ficou limpinho e feliz.

Então a professora Lúcia levantou o cartaz e mostrou o espaço vazio.

— Turma, onde o sete vai?

— Aqui! — disseram todos, apontando.

A professora colou o 7 no lugar certinho, entre o 6 e o 8.

— Agora vamos cantar de novo, bem alto, para o sete lembrar que ele tem um lugar.

E a turma cantou, com palmas:

— Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez!

— Pá-pá-pá! — bateram palmas.

— Viva! — gritou Dudu.

— Viva! — gritou Bia.

Leo sorriu, aliviado.

A professora então pegou um saquinho com bolinhas de papel.

— Vamos fazer um jogo do sete. Cada um vai pegar sete bolinhas e colocar dentro do pote. Quem quer tentar?

As crianças foram uma a uma.

Bia contou devagar:

— Uma… duas… três… quatro… cinco… seis… sete.

— Muito bem! — disse a professora.

Dudu contou rápido e depois conferiu de novo, porque era importante.

— Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Certo!

Leo contou com o dedinho, encostando em cada bolinha.

— Uma… duas… três… quatro… cinco… seis… sete.

E a professora falou:

— Viram como contar ajuda a gente a organizar, achar e cuidar? O número 7 se perdeu, mas vocês ajudaram com atenção e amizade.

Na hora de ir embora, o portão fez “CREC-CREC” outra vez. O céu estava azul e o pé de jabuticaba balançava.

Bia acenou para o cartaz.

— Tchau, sete!

Dudu fez um “tchau” com a mão grandona.

— Não se perde mais, hein!

Leo falou baixinho:

— Agora eu sei. Depois do seis vem o sete.

E o número 7, bem coladinho no lugar, parecia sorrir ainda mais. Porque ele tinha encontrado sua sequência. E tinha encontrado uma turma que sabia procurar com carinho.

E, naquele dia, todo mundo aprendeu: contar é uma forma de cuidar.

✨ Moral da História

Quando a gente conta com atenção e ajuda os amigos, tudo encontra o seu lugar de novo.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Você sabe contar até sete comigo?
  • 2Qual número você mais gosta: 6, 7 ou 8?
  • 3Você já perdeu algum brinquedo? Quem te ajudou a achar?
  • 4Você consegue mostrar sete dedinhos?
  • 5Onde você acha que o número 7 estava escondido?

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Raposinha

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