Historias Populares

Dona Iaiá e a Gansa do Ovo de Engrenagem

05 de fevereiro de 20267 min de leitura3 a 5 anos31 visualizações
Compartilhar:
Dona Iaiá e a Gansa do Ovo de Engrenagem

Na Cidade do Tic-Tac, tudo fazia barulhinho de relógio. Tic-tac no alto da torre. Tic-tac nas lojas. Tic-tac até no coração de quem passava.

Lá no meio da rua de pedra, tinha uma oficina pequena e cheirosa de óleo de máquina. Era a oficina da Dona Iaiá. Dona Iaiá era relojoeira. Ela consertava relógios com calma. Bem calma.

E ela não trabalhava sozinha. Na oficina morava uma gansa branca e fofa. O nome dela era Douradina. Douradina gostava de andar devagar. Bem devagar. E gostava de escutar: — Tic-tac… tic-tac…

Todo dia de manhã, bem cedinho, Douradina fazia um ninho atrás do balcão. E, bem quietinha, botava um ovo. Mas não era um ovo comum. Era um ovo redondo e brilhante. Parecia feito de ouro. E, quando Dona Iaiá abria com cuidado, não saía gema. Saía uma engrenagem dourada, perfeita! Uma engrenagem por dia. Só uma.

Dona Iaiá sempre dizia: — Uma por dia. Uma por dia. No tempo certo.

Com aquela engrenagem dourada, ela consertava relógios que ninguém conseguia consertar. Consertava relógio de parede. Consertava relógio de bolso. E, às vezes, consertava até o relógio grandão da torre da cidade.

A cidade gostava de Dona Iaiá. E a cidade gostava de Douradina. As pessoas passavam na porta e falavam: — Obrigado, Dona Iaiá! E também falavam: — Bom dia, Douradina!

Ilustração da história Dona Iaiá e a Gansa do Ovo de Engrenagem

Um dia, apareceu o Prefeito Brilhoso. Ele usava um terno azul bem apertado. E um chapéu alto. Ele olhou para a oficina e fez cara de “hummm”.

— Então é verdade! — disse ele. — Uma gansa que faz ouro!

Dona Iaiá colocou a mão no peito. — Ela não faz ouro, Prefeito. Ela faz uma engrenagem por dia. — Uma por dia — repetiu Dona Iaiá.

O Prefeito Brilhoso abriu um sorriso grande. — Uma por dia é muito pouco! — Eu quero muitas! — Quero uma porta dourada para a prefeitura! — Quero uma coroa dourada! — Quero um monte!

Douradina escutou “quero, quero, quero” e ficou quieta. Bem quieta. Ela encostou o bico na asa.

Dona Iaiá falou com voz mansa: — Prefeito, Douradina trabalha do jeitinho dela. — Devagarinho. — No tempo certo.

Mas o Prefeito Brilhoso não queria devagarinho. Ele queria agora.

Naquela noite, quando a lua subiu, o Prefeito voltou escondido. Ele entrou na oficina na ponta do pé. Ponta do pé. E pegou Douradina com cuidado… mas sem carinho.

— Na minha sala você vai botar um monte! — ele sussurrou.

Douradina deu um “hónk” baixinho. Hónk… E seus olhos ficaram assustados.

Na prefeitura, o Prefeito colocou Douradina numa sala cheia de relógios. Relógio grande. Relógio pequeno. Relógio que fazia: — TRIM! TRIM! Relógio que fazia: — TIC-TAC! TIC-TAC!

E ele falou alto: — Vamos! Bota! Bota! Bota!

Douradina encolheu o pescoço. Ela tremia. Tremia. Não saiu ovo. Nem um ovinho.

O Prefeito bateu o pé. — Ué! Cadê o ouro?

No dia seguinte, uma coisa estranha aconteceu. O relógio da torre parou. O relógio da padaria parou. O relógio da escola parou. Tic-tac sumiu.

As pessoas ficaram confusas. — Que horas são? — Cadê o tic-tac?

Dona Iaiá olhou para os relógios parados e sentiu o coração apertar. — Sem tic-tac, a cidade fica perdida…

Ela percebeu que Douradina não estava na oficina. — Douradina? — chamou. — Douradina, cadê você?

Ela saiu pela rua de pedra. Andou, andou. E ouviu um “hónk” fraquinho vindo da prefeitura.

Ilustração da história Dona Iaiá e a Gansa do Ovo de Engrenagem

Dona Iaiá entrou na sala do Prefeito. Lá estava Douradina, bem quieta, com medo. E o Prefeito Brilhoso, com cara de bravo e cansado.

Dona Iaiá respirou fundo. Bem fundo. E falou baixinho: — Prefeito, olha para ela. — Ela não é máquina. — Ela é gansa. — Gansa precisa de calma. — Precisa de cuidado. — Precisa de tempo.

O Prefeito olhou. Viu a asa tremendo. Viu o ninho vazio. E, de repente, ouviu o silêncio. Sem tic-tac.

Ele engoliu seco. — Eu… eu só queria muito.

Dona Iaiá respondeu: — Querer muito não é problema. — O problema é querer tudo de uma vez. — E sem carinho.

O Prefeito baixou o chapéu. — Desculpa, Douradina. — Desculpa, Dona Iaiá.

Dona Iaiá pegou Douradina no colo. Dessa vez com carinho. Carinho. E levou a gansa de volta para a oficina.

Ela arrumou o ninho atrás do balcão. Colocou palha macia. Deixou água fresquinha. E apagou as luzes fortes.

Depois, Dona Iaiá chamou o povo da cidade. As pessoas chegaram devagar. Sem gritar. Sem bater palma. Só com olhos gentis.

Dona Iaiá sussurrou: — Vamos falar baixinho. — Vamos agradecer.

E todo mundo falou junto, bem suave: — Obrigado, Douradina. — Obrigado pelo seu tempo. — Obrigado por uma engrenagem por dia. Uma por dia. Uma por dia.

O Prefeito Brilhoso ficou na porta. Ele também falou baixinho: — Obrigado, Douradina. — Eu vou esperar.

Na manhã seguinte, o sol entrou pela janela. Douradina respirou tranquila. Ela ouviu o som mais gostoso do mundo: — Tic-tac… tic-tac…

Ela arrumou o ninho. Bem quietinha. E botou um ovo brilhante. Um só. Mas bem brilhante.

Dona Iaiá abriu com cuidado. E lá estava: a engrenagem dourada. Lindinha. Perfeita.

Ilustração da história Dona Iaiá e a Gansa do Ovo de Engrenagem

Dona Iaiá correu até a torre. O Prefeito foi junto. O povo foi junto. E, com aquela única engrenagem, ela consertou o relógio grandão.

Quando a torre voltou a funcionar, a cidade toda ouviu: — TIC-TAC! TIC-TAC!

O Prefeito Brilhoso sorriu, mas sem pressa. Ele disse: — Eu não preciso de porta dourada. — Eu preciso de uma cidade feliz. — Uma engrenagem por dia já é um presente.

Dona Iaiá fez um carinho na cabeça de Douradina. E repetiu, como sempre: — Uma por dia. — No tempo certo. — E com carinho.

E na Cidade do Tic-Tac, o tic-tac voltou. Todo dia. Bem certinho. Tic-tac. Tic-tac.

✨ Moral da História

Quando a gente respeita o tempo e cuida com carinho, as coisas boas acontecem; querer tudo de uma vez pode estragar o presente.

Vamos Conversar?

Perguntas para conversar com a criança após a leitura:

  • 1Por que a Douradina parou de botar o ovo de engrenagem quando ficou na prefeitura?
  • 2Como a Dona Iaiá ajudou a Douradina a se sentir segura de novo?
  • 3Você lembra de alguma vez que precisou esperar com paciência? Como foi?
  • 4O que podemos dizer e fazer para mostrar gratidão, como o povo fez com a Douradina?

O que achou desta história?

Comentários (0)

Raposinha

Deixe seu comentário

Não será exibido publicamente

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!